Londrina amanheceu ontem com uma polêmica sobre a contratação de 143 funcionários, pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), sem a realização de concurso público. As contratações são temporárias, com duração de um ano, e foram feitas de janeiro a abril deste ano.
A Folha teve acesso à lista das pessoas contratadas, ontem no começo da noite, através do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv). Além dos novos funcionários, a Comurb oficializou no mesmo período a efetivação de 23 cargos comissionados, ou de confiança, entre eles a do próprio presidente da companhia, Cléber Tóffoli.
No total, entre contratados e comissionados, a folha de pagamento da companhia inchou em R$ 123,47 mil. O salários dos contratados variam entre R$ 267,8 até R$ 796,3 para quatro turnos de seis horas cada. Os cargos de confiança apresentam salários maiores.
‘‘Isso é um absurdo. Tem secretarias que falam em demissões. Isso causa no mínimo estranheza’’, diz Gláudio Renato Lima, diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv). ‘‘Se esse pessoal estiver trabalhando, isso é no mínimo imoral, porque poderia haver o remanejamento de funcionários de outras secretarias. Se não estiverem trabalhando, é ilegal’’, afirmou.
Gláudio Lima desconfia que as contratações possam estar sendo patrocinadas pelo aumento de 25% nas tarifas de ônibus coletivos, que entrou em vigor no último domingo. Isso porque, segundo ele, um dos itens que compõem a planilha de custo das empresas é o gerenciamento do serviço, praticado pela Comurb.
A preocupação é a mesma do vereador Salvador Francisco (PSDB), que esta semana recebeu cópia da planilha de custos das duas empresas concessionárias para analisar o último aumento. ‘‘A preocupação é que isso encareça o transporte’’, disse o vereador.
A polêmica chegou também até a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O promotor Bruno Galatti resolveu pedir informações à Comurb sobre a contratação dos funcionários para verificar se o procedimento foi legal ou não. A preocupação do promotor não é isolada: ele está verificando as contratações feitas pela administração municipal desde 1988 até agora. ‘‘Quero confirmar a informação e comprovar o preenchimento dos requisitos legais’’, diz Galatti.
A Comurb justifica as contratações dizendo que elas eram emergenciais. Segundo Cléber Tóffoli, esse procedimento está previsto na lei municipal número 6.387, de dezembro de 1995. ‘‘Se houvesse tempo, a gente faria o concurso. Mas não houve’’, disse o presidente da companhia. Ele acrescenta que havia estudo em andamento, desde o ano passado, prevendo a ampliação.
A maioria das contratações foi feita, segundo Tóffoli, para a criação de um setor de controle e arrecadação, que antes não existia na companhia e se tornou necessário com o fim do contrato com TCGL. Esse pessoal estará trabalhando sobretudo nos terminais de ônibus urbano da Cidade, fiscalizando horário, catracas e arrecadação. Outros funcionários poderão ser cedidos para outras secretarias.
Tóffoli nega que as contratações influenciaram no novo preço da passagem de ônibus urbano. ‘‘De forma alguma. Nós já recebemos 6% do sistema para gerenciamento.’’
Sobre a sugestão de remanejar funcionários, da administração direta para a Comurb, o diretor diz que são situações completamente diferentes. ‘‘Nós somos S/A e eles são celetistas, temos receita e precisávamos de um perfil específico’’, defende. Tóffoli explicou que os nomes dos contratados saíram de um cadastro que a companhia já mantinha.

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