Comurb cedeu contratados irregulares para a Câmara
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Lucília Okamura Londrina 
InvestigaçãoO promotor Bruno Galatti: Funcionário que recebeu dinheiro sem trabalhar vai ter de devolver Quarenta e quatro do total de 212 funcionários contratados irregularmente pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), no início do ano, estavam emprestados à Câmara Municipal. O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, enviará ainda nesta semana ofícios aos órgãos que emprestaram funcionários da Comurb para saber se eles realmente trabalharam.
O promotor solicitou e recebeu na sexta-feira passada uma lista da Comurb com os 115 funcionários que não estavam trabalhando nos terminais de transporte coletivo. Deste total, 34 estavam lotados em departamentos da Comurb (como comercial e jurídico), 44 na Câmara e o restante em diversos outros órgãos, como secretarias da Ação Social, Cultura e Saúde, Junta Militar e Sistema Público de Empregos (Sempre).
As 44 pessoas que estariam trabalhando na Câmara foram contratadas como conferentes e auxiliares de arrecadação. Eles estariam cumprindo jornada de 36 ou 40 horas semanais. Bruno Galatti quer saber se estes funcionários estavam realmente trabalhando. Por isso, enviará ofícios aos órgãos requisitando cópias dos cartões-ponto e das fichas de frequência.
Se for comprovado que os contratados não estavam trabalhando, o promotor ressalta que eles terão de devolver o dinheiro que receberam como pagamento; além disso, seus chefes também serão responsabilizados. Quem recebeu dinheiro sem trabalhar vai ter de devolver, diz Galatti. Os responsáveis pelos órgãos terão um prazo de 10 dias para responder às informações solicitadas pelo promotor.
O fato de que a Comurb emprestou funcionários para outros órgãos já comprova que a contratação não era emergencial, como alegou na época o então presidente da Comurb, Cléber Tóffoli. Quando o caso das contratações veio a público, Cléber Tóffoli justificou dizendo que precisava das pessoas para o funcionamento dos terminais de ônibus, cuja administração passou para a Comurb. Antes, o serviço era executado pela empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL).
Quando as contratações começaram a ser questionadas, Cléber Tóffoli pediu demissão e determinou a demissão de todos os contratados. Eles estão cumprindo aviso prévio desde o mês passado. No lugar de Cléber Tóffoli, seu cargo foi assumido interinamente pelo secretário-geral da Prefeitura, Kakunen Kyosen. Ele determinou a realização de uma auditoria interna para apurar as irregularidades na contratação.
No início deste ano, a Comurb e a Promotoria Pública fizeram um acordo para que 97 funcionários contratados irregularmente continuem em suas funções até que seja realizado concurso público. Esses funcionários devem permanecer trabalhando na Companhia por mais seis meses, no máximo.


