Entre linhas, agulhas, e materiais de acabamento, membros da Paróquia Bom Pastor, no Conjunto Lindóia (região Norte), finalizavam ontem o figurino e fizeram um dos últimos ensaios para a encenação da Paixão de Cristo, dia 14, às 20 horas.
  Para dar vida aos mais de 80 metros de cenário que será levantado no campo de futebol ao lado da paróquia, cerca de 160 pessoas - a maioria da própria comunidade - vão encenar os últimos momentos da vida de Cristo. É o nono ano consecutivo que a Paixão de Cristo será representada e desta vez, com o cenário e parte do figurino renovados. A comunidade conseguiu aprovação de um projeto no Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), que repassou R$ 14,5 mil, e um patrocínio da Sercomtel, no valor de R$ 5 mil.
  Esse ano, Jesus será interpretado pelo representante de vendas, Saul Botelho dos Santos, de 30 anos. ‘‘É uma coisa que não se sente todo dia. É um espírito de equipe como se fôssemos conduzidos por um espírito de energia que traz paz para todos’’, relatou. A expectativa é que a média de público registrada no ano passado, de 7 a 8 mil pessoas, aumente. ‘‘Às vezes as pessoas reclamam que não sentem a presença de Deus, mas quem sabe não é isso que está faltando, a palavra de Deus que vamos estar trazendo’’, disse Santos.
  Segundo ele, esse ano a encenação ganhou três novas passagens. ‘‘Vamos fazer o apedrejamento da mulher adúltera, a parábola do homem rico e um livro apócrifo, em que Maria e Pedro conversam sobre o lado humano de Jesus’’, explicou. A duração é de uma hora e meia.
  O também representante de vendas Idalino Ricardo de Oliveira, 34 anos, ficou com um dos papéis, que segundo ele, ‘‘ninguém quer’’. ‘‘Vou fazer Pilatos.’’ Responsável pela confecção dos armamentos dos soldados, Oliveira confessou que a inspiração vem de Hollywood. ‘‘A inspiração é o filme de Mel Gibson’’, disse, se referindo à obra do ator e diretor australiano, ‘‘Paixão de Cristo’’.

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