Curitiba - De acordo com o calendário Juliano, a comunidade Ucraniana Ortodoxa celebrou ontem o início do ano novo. Em uma missa realizada na Igreja do bairro Champagnat, em Curitiba, os fiéis agradeceram os benefícios do ano anterior, além de receberem bênçãos e proteção para o ano que se inicia.
A missa foi celebrada inteiramente na língua ucraniana e cantada, com a participação de um coral composto por seis senhoras da comunidade. Do santuário - uma espécie de altar -, o Arcebispo e Eparca da Igreja Ortodoxa Autocefálica Ucraniana na América do Sul, Dom Jeremias Ferens, conduziu a celebração, feita parte de frente e parte de costas para os fiéis. ''Hoje celebramos com muita alegria no Ano Novo e a circuncisão do Nosso Senhor Jesus Cristo para nosso salvador'', afirmou.
Na tradição Ortodoxa, o nome de Jesus foi oficializado no oitavo dia após seu nascimento, comemorado no dia 7 de janeiro. A data segue o Calendário Juliano, instituído por Júlio César no ano 46 antes de Cristo. A diferença de 13 dias em relação ao calendário Romano faz com que muitos fiéis brasileiros deixem de participar das celebrações, por motivos de trabalho e outros compromissos.
''É uma tradição muito antiga, poucos praticam, mas acontece em muitos lugares. Em outros países é feriado nacional e celebrado com muita pompa'', disse o responsável pela Igreja, que acolhe aproximadamente 70 famílias.
Um exemplo é a Ucrânia, em que 70% da população são cristãos ortodoxos e as comemorações são mais ricas. O arcebispo acredita que, no Brasil, o contato com outras culturas faz com que poucas famílias participem das celebrações.
''Mas estamos há 75 anos inalterados, com todo o rigor e tradições'', complementa. Além da Ucrânia, a Igreja Ortodoxa é predominante na Grécia, Rússia, Bulgária, Romênia e Sérvia.
Além da missa, os descendentes de ucranianos celebram a data com a família, em jantares no dia 31 de dezembro do calendário Juliano. A comida típica é composta por nozes, amendoins e doces. Durante a madrugada, as crianças entregam sementes e doces para representar prosperidade.
Após a celebração, membros da Igreja lançam sementes sobre os fiéis, para atrair prosperidade e saúde, conforme a tradição. Neste ano, o responsável pela tradição foi o pequeno Antônio Cirilo Rylo Toso, 7 anos. A mãe dele, Angela Fabiana Rylo, faz questão de participar da celebração e conta que precisou faltar ao trabalho. ''Participo desde pequena'', conta a advogada.
Frequentadora da Igreja há 10 anos, Eugenia Stefanovicz afirma que a participação na missa faz bem. ''É gostoso, a gente se sente mais leve quando vem aqui. Confraterniza, se reúne, conversa'', diz. No dia 1º de janeiro ela conta que passa o dia descansando. ''Quem pode respeitar, respeita.''
Tradição Ortodoxa
O Cisma, ocorrido em 1054, promoveu a criação da Igreja Ortodoxa (do Oriente) e da Igreja Católica Romana (Ocidental). Os ortodoxos reconhecem os sacramentos: batismo, crisma, eucaristia, confissão, matrimônio, ordem e unção dos enfermos.

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