Comunidade tenta tirar vice da cadeia
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sexta-feira, 12 de junho de 1998
Sid Sauer 
Parte dos moradores de Moreira Sales (70 km a oeste de Campo Mourão) pretende colher cerca de 5 mil assinaturas em um abaixo-assinado para tentar libertar o vice-prefeito Manoel Olímpio Maia dos Santos, o Neto, (PTB). Ele está preso desde agosto do ano passado, depois de ser condenado a 14 anos de prisão por participação em um duplo assassinato em novembro de 1988.
Ele sempre trabalhou pelos pobres e por isso foi eleito vereador e vice-prefeito mesmo depois das acusações, diz a mulher do vice-prefeito, a vereadora Francisca Anália de Oliveira Santo, a dona Santa (PTB), que garante que o marido é inocente. Até ontem, o abaixo-assinado já tinha recolhido cerca de 2,5 mil assinaturas. Moreira Sales tem 14 mil habitantes. A iniciativa é do comerciante José Maria, um ex-candidato a vereador.
O abaixo-assinado é para sensibilizar a Justiça e argumenta que a prisão do vice-prefeito está prejudicando a população. Segundo dona Santa, Neto só foi condenado devido a dois testemunhos falsos. O advogado do vice-prefeito, José Borges dos Santos, de Goioerê, já recorreu ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.
O advogado também ingressou com recurso para que o vice-prefeito, que tem curso superior, possa ficar em cela especial. Ele está preso na cadeia de Goioerê, a 22 quilômetros de Moreira Sales, em cela comum junto com outros três presos. Antes de ser preso em Goioerê, Neto ficou preso por cerca de um mês na Penitenciária de Maringá.
Na época do crime, Neto era o secretário de Saúde de Moreira Sales. Mesmo respondendo processo, ele foi eleito vereador em 1992. Em junho de 96, já no último ano de mandato, aconteceu o julgamento em primeira instância. Neto foi condenado a 14 anos de prisão, mas recorreu da sentença. Por isso, ele ainda pôde ser candidato a vice-prefeito. A prisão só aconteceu em agosto de 97, quando o Tribunal de Justiça manteve a condenação.
O vice-prefeito foi condenado pela participação em um tiroteio contra Geraldo Nascimento da Silva e dois filhos dele, Jair e Luiz Alves. Geraldo e Jair morreram. Luiz Alves ficou ferido. O tiroteio aconteceu após uma confusa discussão por questões políticas, uma vez que a cidade ainda vivia o clima das eleições municipais de 88. O comerciante Lourival Aparecido Marines Ruiz, que também foi acusado de participar do duplo homicídio, foi absolvido. Outro acusado, João Carlos Garcia Sanches, continua foragido.


