Os moradores dos assentamentos Vale do Sol, Vale da Lua e Jardim dos Campos, na região do Conjunto Aquiles Sthenghel, zona norte de Londrina, esperaram durante todo o dia de ontem pela equipe e caminhão do Programa Londrina no Combate à Dengue, mas eles não apareceram. ''Estava marcado tudo para hoje (ontem) e eles não vieram'', disse, indignado, o comerciante João Francisco de Aguiar, que tem um mercado no Jardim dos Campos. O mutirão de limpeza e a vistoria para destruição de criadouros das larvas do mosquito Aedes aegypti (transmissor da doença) estavam mapeados pela Secretaria Municipal de Saúde para serem executados ontem, nestes locais. As duas ações, que também estavam previstas para amanhã, foram adiadas, e a comunidade não foi informada.
O coordenador de Endemias, Luiz Alfredo Gonçalves, da Secretaria Municipal de Saúde, justificou a ausência da equipe e dos voluntários no combate à dengue por impossibilidade de o caminhão entrar nestas localidades. ''O caminhão não pôde entrar por causa das ruas defeituosas'', explicou Gonçalves. A reportagem da Folha entrou de carro nas ruas do Jardim dos Campos e Vale do Sol, ontem à tarde, à procura da equipe de saúde. Segundo o coordenador de Endemias, o cancelamento foi feito a pedido do Conselho Local de Saúde.
A coordenadora do conselho, Giselda de Lima, confirmou o adiamento. ''Queríamos que o caminhão da limpeza fosse até o fundo de cada rua. A própria comunidade pediu que as ruas fossem moledadas antes do arrastão'', informou ela. Giselda acredita que ''houve falha de comunicação entre o conselho, prefeitura e comunidade''. A coordenadora marcou uma nova reunião com a comunidade na próxima terça-feira, às 20 horas, em uma das salas da Escola Municipal Salim Borihan.
Conformada, mas sem saber os motivos da não-realização do mutirão, a gestante Maria Batista de Melo, 21 anos, aguardava a vinda da equipe. ''É importante que a limpeza e a conscientização sejam feitas em todos os lugares'', considerou a mulher, que disse ter a suspeita de dengue confirmada na última terça-feira. ''Se as pessoas tivessem a noção da dor que a gente sente, com certeza, seriam mais responsáveis com a saúde'', finalizou.

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