Comunidade se mobiliza para lançar alevinos em 'rio morto'
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Mamborê O locutor de rádio e jornalista Osni Moraes bem que tentou. Na última semana de novembro, munido de todos os apetrechos de pesca, ele se deslocou 25 quilômetros de sua casa na área central de Mamborê (36 km ao sul de Campo Mourão) até a margem do Rio Tricolor para capturar lambaris. Não havia nenhuma novidade no programa. Foi uma opção de diversão nos finais de semana que sobreviveu por gerações em Mamborê, Nova Cantu, Roncador e Luiziana, municípios da região de Campo Mourão.
O problema é que ''o rio morreu'', como costumam dizer os velhos pescadores, incorformados com a situação. Em uma tarde inteira, Moraes teve um desempenho que envergonharia qualquer aficcionado de beira de rio: retornou com apenas dois exemplares de lambari.
A história de fracasso porém não é ''privilégio'' do locutor. É quase uma regra nos últimos anos. Mesmo protegido por matas ciliares e sem nenhum fluxo aparente de poluição industrial, o Rio Tricolor perdeu praticamente toda a piscosidade. Muitos dizem sem conseguir provar que se deve ao manejo agrícola, cada vez mais mecanizado e dependente dos agrotóxicos.
No domingo, cerca de 80 voluntários, todos moradores de Mamborê, vão dar o primeiro passo para tentar devolver a opção de lazer aos futuros pescadores. Sob uma ponte, próximo ao chamado Quatro Marcos (onde os quatro municípios fazem limite), os voluntários vão jogar nas águas 37 mil alevinos. A ação ambiental com ares de festa começa às 9 horas e deve mobilizar também autoridades e técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
O idealizador da iniciativa é o torneiro-mecânico Ariceu Sabakeviski, 42 anos, um descendente de ucranianos que vive há 22 anos em Mamborê. ''Quando eu cheguei aqui, cansei de ficar com uma varinha na barranca do rio pegando peixe a tarde inteira. Trazia 200, 250 lambaris para casa. Também tinha carpa e piau em quantidade'', compara.
Em setembro, a idéia antiga de repovoar o Tricolor (afluente do Piquiri, que é afluente do Paraná) começou a sair da cabeça do torneiro-mecânico para ganhar os microfones da Rádio União FM. Das 7h15 às 8h30, Moraes comanda o Bom Dia Mesmo!, programa que mistura música e noticiário. Neste espaço, começaram os apelos para a doação de alevinos. ''Foi um sucesso. Esperávamos arrecadar recursos para cerca de 10 mil alevinos'', conta Ariceu.
As 37 mil unidades vêm de Toledo. A carga vem sortida: piau-açu, pacu, bagre jundiá, corimba e piapara. ''Depois de soltar os peixes, vamos continuar conscientizando a população para que respeitem um prazo de dois anos sem pesca. Se der certo, vamos continuar repovoando'', explica Ariceu.


