Comunidade se manifesta contra aterro
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sábado, 15 de março de 2003
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Mais de duzentas pessoas participaram ontem, de manhã, no bairro do Limoeiro, zona leste de Londrina, de mais uma discussão sobre a instalação de um aterro para tratamento de lixo industrial na região. A reunião foi convocada pela associação de moradores, que são contrários ao empreendimento, com o apoio da Câmara de Vereadores de Londrina. O vice-prefeito de Ibiporã, Alberto Baccarim, foi vaiado pelos participantes depois de defender a instalação do empreendimento. A área do aterro fica na divisa dos dois municípios.
Os vereadores de Londrina convocaram o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a enviar cópias do estudo para a implantação do empreendimento já realizado pelo órgão. Outras informações técnicas serão buscadas ainda junto à empresa proprietária do terreno, sediada em Blumenau (SC). Amanhã, segundo a assessoria de imprensa da Câmara, eles devem procurar também o Ministério Público de Londrina e Ibiporã. A associação de moradores distribuiu um manifesto de protesto e esperam a assinatura de lideranças políticas.
Outra sugestão apresentada na reunião é a ampliação da discussão entre todos os municípios da região com a criação de uma comissão ou um consórcio intermunicipal. Para a vereadora Lourdes Narcizo, de Ibiporã, o problema com o lixo industrial não afeta apenas o Limoeiro, mas todo o Estado. Ela destaca a necessidade de um local de tratamento nessa região, mas se declara contrária ao terreno adquirido pela empresa catarinense pela proximidade que está da área urbana dos dois municípios um quilômetro de Londrina e quatro de Ibiporã. O IAP anunciou também que irá realizar mais duas audiências públicas, a primeira delas no bairro.
O chefe do escritório regional do IAP, Ney Paulo, durante a reunião preferiu afirmar apenas que o processo está sendo analisando e deverá ser discutido por uma câmara técnica do órgão, em Curitiba. Ney Paulo afirmou ainda que, se os estudos não apontarem prejuízos ao meio ambiente, a licença ambiental poderá ser concedida. ''A população será ouvida, mas temos técnicos capacitados para decidir'', informou.
O representante da associação de moradores, Wilson Pan, reclamou que o processo de instalação foi feito ''na surdina'', sem o conhecimento dos moradores. Pan destacou que os estudos podem prever apenas prejuízos imediatos, e que todos eles temem por consequências futuras.


