Comunidade se envolve em mutirão de solidariedade
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terça-feira, 05 de setembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Aos 83 anos, dona Judith vai, enfim, ter um pouco de conforto. Foram mais de duas décadas vivendo em uma pequena casa de madeira no número 190 da Rua Israel Caçula, no Distrito de Lerroville (Zona Sul de Londrina), sonhando com coisas como banheiro dentro de casa e rede de esgoto. Nas últimas semanas a ex-bóia-fria vê, com uma alegria contagiante, paredes mais sólidas serem erguidas em seu quintal, por iniciativa de um grupo de moradores voluntários que resolveu diminuir o sofrimento de famílias carentes do distrito.
Judith Santiago Paes da Costa, nascida no ano de 1922 na cidade de Ervália (MG), conhecedora da dureza da vida e não das letras, parece não acreditar que está prestes a morar, pela primeira vez na vida, em uma casa de tijolos. ''Graças a Deus, graças a Deus, graças a Deus...'', não se cansa de repetir, como se entoasse um mantra de agradecimento. Com as lágrimas brotando facilmente, ela justifica: ''Choro de tanta emoção. No fim da minha vida, ter uma casa tão boa como esta, é mesmo coisa de Deus.''
Viúva há 17 anos, dona Judith mora com uma filha e o neto Reginaldo, de 20 anos. As condições de precariedade em que a família vive despertaram o espírito solidário da comunidade. Pessoas simples, que vivem do salário da aposentadoria, tiram do pouco que têm para doar. A mão-de-obra vem de moradores que ganham a vida como professor, funcionário público, pedreiro, aposentado.
João Batista (mais conhecido por João Triada), Manoel Balza, Paulo Massoni, Edvaldo Pereira da Silva, Acyr Plath, Pedro Alves Batista, Lázaro Guido Xavier e José Alves Domingues são os homens que têm dedicado as horas livres a assentar tijolos. E assim como dona Judith, esbanjam alegria. ''O melhor dia da minha vida foi aquele em que trabalhei aqui com estes amigos, não sinto cansaço, dor de cabeça, nada. Poder ajudar enche o nosso coração de alegria'', diz o professor Acyr Plath.
Ele conta que a comunidade toda está ajudando com doações. Até os alunos da escola municipal do distrito ajudaram com uma rifa. ''Teve uma garotinha que chegou e entregou uma moeda de R$ 0,50, dizendo que queria ajudar. Me emocionou.'' Plath e os amigos começaram a trabalhar na construção há cerca de 20 dias.
A construção de alvenaria terá quatro cômodos e fossa séptica própria. O acabamento deve ser o mais simples possível, de acordo com o material que o grupo de voluntários tiver à disposição. ''Ainda não sabemos direito como vai ser. Nossa meta é construir a casa'', resume o trabalhador rural aposentado João Batista. O grupo já pensa em ajudar mais outras duas famílias que moram em casebres no distrito.
Para Reginaldo da Costa Batista, neto de dona Judith, a nova residência é sinônimo de menos preocupação. ''Às vezes dá medo da casa cair, tem muito buraco'', observa, revelando que o mais difícil é suportar o vento e a chuva que entram na pequena casa, a única que ele conheceu até hoje.
Serviço - Quem tiver interesse em doar materiais de construção pode entrar em contato pelos telefones (43) 3398-2079 (com Acyr) ou 3398-2003 (com João Batista).


