Itambaracá - Os moradores do bairro Santana, em Itambaracá (46 km a leste de Cornélio Procópio), estão preocupados com a retirada de árvores da Mata do Macaco. Eles alegam que a destruição da área vai desproteger os animais que vivem no local. A Mata do Macaco, localizada na Fazenda Alzira a sete quilômetros da cidade, tem sete alqueires e abriga animais silvestres como pacas, tatus, quatis e tamanduás, além de diversas espécies de macacos.
O agricultor José Gomes de Lima conta que há algumas semanas foram retiradas várias árvores da mata. ''É um dos últimos refúgios dos animais da área alagada pela represa Canoas I e está sendo devastado'', disse.
Em 1996 toda a comunidade se mobilizou contra a retirada de árvores do local. A mobilização impediu o desmatamento e resultou em um convênio entre o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a prefeitura para a criação de um parque municipal. O parque, seis anos depois, ainda não foi criado.
A chefe regional do IAP em Cornélio Procópio, Fátima Roque, explicou que a retirada das árvores foi autorizada pelo instituto porque o proprietário realizou a averbação da reserva legal equivalente a 20% da área. Ela diz que a área deve ser preservada, independente, da criação do parque, mas que foi liberado o corte de algumas árvores para a realização de benfeitorias.
Ivo Almeida, o proprietário da fazenda, não foi localizado pela Folha, mas a mulher dele, Eunice Lopes de Oliveira, disse que os fiscais do IAP acompanharam a operação de corte desde o início. Eunice acredita que a retirada das árvores não vai comprometer a área e lamenta a demora na criação do parque municipal. Ela explica que Almeida propôs o parcelamento do pagamento para aquisição da área pelo IAP, mas foi informado que não havia recursos.
O secretário de agricultura e meio ambiente de Itambaracá, José Luiz Ossovski, disse que o órgão entrou em contato com o IAP para verificar a liberação da área. Segundo ele, a demora na criação do parque compromete o meio ambiente da área e prejudica o município porque impede a arrecadação de ICMS ecológico. ''Não sabemos o motivo da demora na execução do projeto'', disse. O convênio prevê o repasse de R$ 50 mil do governo do estado e a contrapartida de R$ 21 mil da prefeitura.
A direção do IAP, em Curitiba, não foi localizada para comentar o atraso na liberação de recursos.

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