‘‘Nem a família, nem ninguém nesta cidade acredita na versão de simples afogamentos’’. A afirmação do vendedor Florisvaldo da Silva, 45 anos, foi feita ontem durante ato da comunidade escolar do Colégio Polivalente, na zona norte de Cascavel, e de familiares, em protesto contra a falta de ‘‘explicações convincentes’’ da Polícia para a morte das alunas Juliana da Silva (filha de Florisvaldo) e sua prima Jackeline da Silva, ambas de 13 anos, e Eva Caroline Biagi e Franciele Santos, ambas de 12 anos, no dia 12 de março, em uma piscina particular da cidade, onde era cobrado ingresso dos frequentadores.
A tese de asfixia por afogamento, sustentada pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel, é questionada pelos familiares e por professores e alunos do colégio onde as garotas estudavam. A mãe de Juliana é Iolanda da Silva, 33 anos, e os pais de Jackeline, Orestes (mecânico, 41) e Aparecida da Silva (32), os de Eva, Valdecir (vigia, 37) e Dirce Biagi (30), e os de Franciele, Francisco Pedro (pedreiro, 45) e Gertrudes dos Santos (52).
No ato, ontem, no colégio, houve plantio de uma árvore e flores brancas depositadas ao seu redor. O inconformismo com a versão policial para as mortes era expresso em faixas e cartazes. A diretora Marlene Spinelli disse que ‘‘todos querem respostas convincentes das autoridades’’, e questionou ‘‘como pode haver tanto descaso com vidas humanas’’.
Em meio ao choro, principalmente das mães, Florisvaldo da Silva disse que ‘‘se fossem filhas de ricos, tudo teria sido muito bem explicado logo de início’’. Aos ‘‘pobres’’, acrescentou, ‘‘resta protestar, espernear, fazer manifestação para forçar as autoridades’’. Ele lembrou que Juliana e Jackeline sabiam nadar. ‘‘Não há como aceitar que as quatro morreram afogadas ao mesmo tempo’’, alega. Os donos da piscina particular (onde só estavam as garotas) disseram não ter ouvido nenhum grito ou pedido de socorro. ‘‘Alguém aceita isso como lógico?’’, completou Florisvaldo.
O casal proprietário da piscina Aires Pereira, 60 anos, e Lídia Pereira, 56, foram enquadrados em homicídio culposo (não intencional), por não haver qualquer equipamento de segurança no local, como bóias ou assistentes aos frequentadores. Logo de início, o IML sustentou a tese do afogamento múltiplo, mantida até o final pelo delegado Nobuo Nagasse. Ele concluiu o inquérito na semana passada sem o resultado de exames enviados a Curitiba, que não foram feitos por problemas nos equipamentos do laboratório.

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