Com aproximadamente 1,2 mil famílias, o Jardim Nova Esperança, extremo sul de Londrina, ainda continua crescendo. Além de aproximadamente 100 casas populares entregues no início do ano, mais residências estão sendo construídas, o que preocupa a comunidade, pois o bairro não conta com unidade básica de saúde ou escolas. Por causa disso, os moradores prometem realizar protestos nos próximos dias, caso a Prefeitura não dê uma resposta às reivindicações da população.
Segundo o líder comunitário José Guilherme Alves, as escolas municipais e UBS mais próximas ficam a, no mínimo, cinco quilômetros de distância, nos jardins União da Vitória e Campos Elíseos. ''Nossa região é muito acidentada. Até o morador chegar a algum desses locais, ele enfrenta muita subida e descida. Imagina o que é isso para uma criança, uma mãe com bebê, um cadeirante, todos os dias?'', questiona Alves.
Um exemplo é a realidade enfrentada pelo cadeirante Roberto Nogueira Pereira. Sozinho, ele não consegue chegar à UBS do União da Vitória. ''É impossível; para tudo que eu quero fazer, tenho que pedir ajuda a alguém'', relata. ''Aqui não tem nada. Sempre temos que ir para os bairros vizinhos buscar atendimento, que ficam longe.''
Pereira acrescenta que já recorreu, inclusive, ao Samu. ''Mas demorou demais. O negócio é pedir socorro ao vizinho ou contar com a sorte e aguardar um ônibus preparado para cadeirantes, que são poucos e demoram 40 minutos'', diz o cadeirante, que conta com o apoio da esposa Edilma Pereira ou com ''bom coração'' dos moradores que possuem automóveis.
A distância e a falta de tempo teriam feito com que alguns pais deixassem de levar os seus filhos à escola, segundo o líder comunitário. Ele também acrescenta que o bairro é carente de projetos sociais e assistenciais, que poderiam atender as crianças e os jovens, evitando que eles ficassem vulneráveis ao contato com as drogas e a criminalidade.
Circulando pelo Nova Esperança é fácil notar que grande parte da crianças e adolescentes do bairro fica pelas ruas e trilhas da região sem ter outra opção. ''A gente não tem o que fazer aqui. Nem um Centro Comunitário para realizar atividades para os moradores'', destaca o líder comunitário.
Pela rua
Os pedestres que circulam pela principal via de ligação ao bairro, a Avenida Rosane Wainberg, reclamam da falta de segurança. Quase todos os postes às margens da avenida estão com as lampadas quebradas. Santina Alves Ferreira e as amigas Ana Vieira e Maria Donizetti são obrigadas a andar pelo asfalto, pois não existem calçadas em toda a extensão da via. Durante a noite, o perigo aumenta. Por causa da escuridão, acidentes já foram registrados. Exemplo disso é que alguns postes foram danificados pelo choque de veículos.
Cohab
O presidente da Companhia de Habitaçâo de Londrina (Cohab), Paulo Renato Carvalho, disse que não tinha conhecimento sobre futuras instalações de escolas e unidades de saúde no bairro. Ele ainda destacou, através da assessoria de imprensa da prefeitura, que a região sul já dispões de UBS e escolas.

mockup