Londrina - A Mata Ângelo Cretã, localizada na Rua Júlio Farináceo no Conjunto Maria Cecília (zona norte), foi palco ontem de manhã de um mutirão de limpeza, realizado por voluntários representando cerca de 20 entidades. O espaço estava tomado por entulhos de construção civil, aparelhos eletrônicos, sofás, sacolas e garrafas plásticas e vidros, entre outros detritos. Funcionários da Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) contribuíram com a poda das árvores e coleta de entulho.
De acordo com a coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social Norte B, Maria Edna Chagas Silva, a ideia do mutirão surgiu durante uma reunião com a rede de serviços que cooperam com o Cras. "Nos reunimos uma vez por mês para discutir as demandas da região e surgiu essa proposta de revitalizar a mata, que vinha sendo vandalizada e utilizada como depósito de lixo", contou.
Segundo Maria Edna, a mata, que ocupa a área aproximada de uma quadra, vinha sendo frequentado por usuários de drogas. O espaço é considerado inseguro, mesmo tendo seu entorno cercado com grades. "As pessoas passaram a ter medo de passar pela mata", observou, informando que nas imediações ficam duas escolas estaduais e vários centros de educação infantil.
Alunos do Projeto Viva Vida também contribuíram na ação distribuindo panfletos com orientações para combater a dengue pelas residências do entorno da mata.
A área chegou a ser doada à Fundação Nacional do Índio em 1990, mas o processo foi invalidado em 1992 pela prefeitura sob o argumento de que a Funai não estava utilizando o espaço.
Famílias indígenas chegaram a reivindicar o reconhecimento do espaço como terra indígena. "Hoje o local não possui nenhuma das famílias indígenas que um dia habitaram a mata. Nós não chegamos a convidar os índios para participar da ação, mas a ideia é de que o espaço seja ocupado por toda a comunidade. No dia 29 realizaremos um culto ecumênico e em 2015 será realizado um cronograma de utilização do espaço, para evitar a depredação", destacou Maria Edna.
Ângelo Cretã era Kaingang da Terra Indígena de Mangueirinha (Sudoeste)e foi um dos principais comandantes do movimento pela retomada das indígenas no Sul do Brasil na década de 1970.

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