Comunidade quer mudança em rua da Vila Brasil
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quarta-feira, 05 de abril de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
O movimento de carros na Rua Panamá, próximo à Rua Bolívia, na Vila Brasil (Área Central de Londrina) é motivo de reclamação de moradores, principalmente nos últimos oito anos, quando o fluxo de veículos no local aumentou. A situação, segundo eles, é tão preocupante que os moradores fizeram um levantamento do número de veículos que passam pela rua. O resultado surpreende. No último dia 13, das 18 horas à uma hora da manhã, foram 11.513 carros. Em apenas dez minutos, enquanto a reportagem estava no local, foi registrada a passagem de 220 carros. O relatório, com um resumo de 48 processos encaminhados para a prefeitura e um abaixo assinado com 1,3 mil assinaturas pedindo providências, foi entregue à Promotoria de Defesa de Direitos Constitucionais na segunda-feira.
Ainda de acordo com o levantamento dos moradores, 40% do fluxo são de carros de grande porte, 40% de carros de passeio e 20% de motos. As ruas dão acesso a oito colégios na região. ''É um movimento constante, que coloca em risco a vida de moradores, principalmente na hora de sair e chegar de casa'', reclamou a moradora da rua há 25 anos, Lídia Guimarães Severina. ''Fazemos um acompanhamento da quantidade de veículos na rua e a situação está cada vez pior'', afirma.
Na Rua Colômbia, número 703 (sequência da Panamá), Marina Tucunduva Nascimento, 76 anos, e o marido sofrem com o barulho e o tráfego intenso. A moradora aponta várias rachaduras fora e dentro da casa, que seriam provocadas pela trepidação dos carros. ''A casa chega a balançar com o movimento dos carros. Não venço fazer reforma. As paredes racham, os vidros quebram. Sem contar o barulho'', reclama a idosa.
Outra moradora, Glorinha Galego, conta que era obriga a tomar remédio para dormir. ''O barulho é intenso dia e noite. Você não tem sossego''. A solução foi se mudar da Rua Panamá para outra casa do bairro.
Os moradores alegam que já enviaram para a prefeitura um total de 48 reivindicações, 22 deles pedindo a inversão de mão das ruas Panamá e Colômbia e outros 22 pedindo a desapropriação das ruas. ''A única resposta foi um documento onde alegam que para fazer qualquer tipo de mudança haveria alteração na quilometragem no itinerário dos ônibus e o consequente aumento na tarifa''.
O diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), Álvaro Grotti, afirmou que as mudanças solicitadas pelos moradores não podem ser feitas porque o sistema é binário (com ruas paralelas e direções opostas). ''O sistema viário no local é adequado e é impossível fazer a inversão, até mesmo porque não existe condição do transporte coletivo fazer a conversão nessas ruas''.
Grotti informou que no final do ano passado foi feita toda a sinalização no bairro, da Avenida Duque de Caxias até a Avenida Leste-Oeste. Apesar de haver projeto no Plano Diretor para desapropriar algumas ruas, não existe verba. ''O município poderá usar novos instrumentos do Plano Diretor e do Estatuto da Cidade para agilizar o processo de desapropriação, mas por enquanto, não existe previsão para isso'', afirmou.


