Comunidade quer inibir ''caroneiros''
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de agosto de 2003
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Representantes do Conselho Tutelar, Centro de Direitos Humanos (CDH), da Federação das Associações de Moradores de Londrina e de empresas de transportes reuniram-se ontem para discutir quais medidas podem ser tomadas para coibir as ''caronas'' de ciclistas em pára-choques de caminhões e ônibus.
Durante o encontro foram apresentados números de ocorrências e citados as principais ruas onde são vistos jovens na ''rabeira'' de veículos (veja quadro). De acordo com o Departamento Jurídico da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), a empresa registrou no ano passado, 78 casos de veículos danificados.
O gerente de Tráfego da TCGL, Daniel Martins, esteve na reunião e disse que desde janeiro deste ano ''foram registrados 60 danos em ônibus'' (principalmente quebras de lanterna e pára-choque) envolvendo diretamente os caroneiros. ''Felizmente não tivemos nenhum caso que resultou em morte ou ferimentos. Com o balanço dos ônibus, estes jovens podem se desequilibrar e serem jogados para debaixo das rodas'', alertou Martins, que apresentou ainda uma lista de incidentes registrados pelos motoristas dos coletivos.
Para o presidente do Conselho Tutelar, Valdir da Silva, a ação deve ser conjunta e envolver diversos setores da sociedade. A União Municipal das Associações de Moradores de Londrina (Unimol), por exemplo, vai desenvolver uma campanha de conscientização nos bairros da cidade. ''Levaremos para as microrregiões de Londrina palestras educativas e parceria com a Companhia de Trânsito e CMTU (Companhia Municipal de Trânsito de Urbanização). As empresas de ônibus farão um mapeamento mais detalhado sobre os locais de maior incidência'', disse o presidente da Unimol, Joel Tadeu Correa.
Apesar do assunto estar ligado diretamente com o trânsito local, nem a CMTU, nem a Companhia de Trânsito e nem os sindicatos das empresas e dos funcionários dos transportes enviaram representantes para debater o assunto. ''Vemos com pesar a ausência destas entidades e autoridades'', comentou o coordenador do CDH em Londrina, Gelson Gil, que também falou sobre as mudanças culturais dos jovens, o maior acompanhamento dos pais sobre as atividades dos filhos e a ''influência dos esportes radicais'' nestes casos. A CMTU informou que a frota existente em Londrina é de 175 mil veículos (100 mil comporiam a frota circulante), o que deixaria 2 mil para cada agente de trânsito.
Este ano, no dia 21 de janeiro, uma morte foi registrada na cidade envolvendo um ciclista. Robson Alves Galvão, de apenas 12 anos, morreu quando pegava carona em um caminhão-tanque na Rodovia Celso Garcia Cid (perímetro urbano da PR-445 e divisa entre Londrina e Cambé). O menino teria perdido o controle da bicicleta depois que o caminhão reduziu a velocidade no quebra-molas e batido a cabeça no chão. Galvão morreu no local.
Uma nova reunião está marcada para a próxima quinta-feira, às 9 horas, na antiga sede da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Avenida Juscelino Kubitscheck, 2.896).


