O advogado e produtor agrícola Itacir Rockembach, 39 anos, organizou no início de 2002 um abaixo assinado que contou com 306 assinaturas. O documento foi protocolado na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), na Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de Londrina entre os dias 25 de fevereiro e 3 de março do ano passado. Passados 11 meses, não houve mudança no principal anseio do advogado e dos outros moradores e proprietários de terras na região da Pedreira Expressa e Fazenda Coroados, na zonal sul londrinense: saber a situação real de uma área analisada para comportar o novo aterro sanitário controlado de Londrina.
A área do novo aterro terá 25 alqueires e sua localização será revelada em uma audiência pública, prevista para abril ou maio. A CMTU pretende contactar o proprietário da área logo que seja escolhida. A administração municipal também pretende compensar com melhorias a região que abrigar o aterro. Por causa das especificações físicas, geológicas e ambientais, a instalação terá que ser na parte sul da cidade. As três áreas pré-selecionadas estão sob sigilo para evitar uma possível especulação imobiliária.
A comunidade envolvida na elaboração do abaixo-assinado reuniu-se na tarde de ontem, na chácara da Associação dos Servidores da Caapsmel, para discutir o assunto. A área em questão fica a pouco mais de um quilômetro da chácara. Vem sendo visitada por técnicos há mais de um ano. Embora não exista confirmação da CMTU, é considerada pela própria comunidade um dos três pontos pré-selecionados para receber o novo aterro. Rockembach confirma que a área passou por diversas análises, como o EIA/Rima, o estudo de impacto ambiental.
A terra está ocupada pelo plantio de soja. ''As duas outras áreas que foram estudadas nós não sabemos onde ficam, mas não temos dúvida que esta é a terceira'', diz Itacir. ''Não conseguimos qualquer tipo de acesso ao processo técnico para a escolha da área do aterro, nem participamos da escolha, só que acreditamos que temos direito à informação''.
Ninguém quer o aterro ali. Rockembach diz que todos vão pressionar para que o pior não ocorra. Se não for possível que o futuro depósito de resíduos ocupe outra área, a intenção é que a comunidade ao menos possa se preparar para conviver com o impacto psicológico provocado pelo indesejável vizinho. ''Seria um absurdo saber que teríamos que conviver com o lixão e todos os seus problemas de uma hora para outra. Precisaríamos de tempo para assimilar o fato e lidar com isso'', afirma.
A reunião também contou com a presença de um representante da Eletrosul. A empresa tem na localidade duas torres de transmissão. As informações de que o solo sob o aterro não poderia ser rochoso, e que os lençóis freáticos precisariam passar em grande profundidade pelo terreno, dificultando uma eventual contaminação da água, intriga a comunidade. ''A água aqui é abundante, e o corrégo dos Apertados passa logo ali atrás'', aponta o advogado. Hortas e cultivos como o do bicho da seda se espalham pelas propriedades.

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