Há mais de 30 anos, quando os primeiros moradores da Avenida Ouro, no Jardim São Francisco (Zona Oeste de Londrina), começaram a construir, eles achavam que duas pistas passariam na frente de suas casas. Uma delas foi asfaltada e a outra, apesar de canteiros e meio fio prontos, ficou só no papel. Desde então, o espaço virou uma espécie de praça. Árvores, plantas, bananeiras, grama e até uma horta foi implantada ali pela comunidade. Estarrecidos, os moradores começaram a ver nos últimos meses muros serem erguidos no espaço, doado pela Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) a empresas.
Revoltados, os moradores querem o espaço de volta e ameaçam entrar com processo de indenização contra o município. ''Comprei minha data há 35 anos e paguei mais caro porque era uma avenida'', reclama Ubirajara Carlos Monteiro, 62 anos.
Monteiro afirma que os moradores já entraram em contato com a Codel para pedir informações. ''Se ao menos dessem uma satisfação para gente tudo bem, mas fazem isso e ninguém diz nada'', afirma.
Das cinco empresas que fazem frente com as casas, pelo menos três já levantaram muros. A primeira delas, na esquina, construiu há mais de cinco anos. ''Falam que doaram isso para trazer mais empregos mas até agora só tem mato lá, aqui pelo menos a gente cuidava, se queriam fazer alguma coisa podiam fazer uma praça ou um centro comunitário'', afirma.
O coro de reclamações é reforçado por outros moradores que temem a desvalorização dos imóveis com a expansão das empresas e elevação dos muros. Além disso, eles argumentam que os impostos deles seriam mais altos que do resto do bairro por conta da avenida que nunca existiu de fato. ''Tanto a taxa de iluminação pública como a do IPTU é mais cara'', afirma a dona-de-casa Benedita Aparecida Santiago 46 anos.
O presidente da Codel, Gabriel Campos, afirma que não há nenhuma irregularidade na doação da área para as empresas mas que todo o processo ocorreu antes dessa gestão (ver box). ''Não estou aqui para emitir opinião sobre se isso foi justo ou não, mas está tudo dentro da lei'', afirma. Segundo ele, a Codel está levantando todos os documentos referentes ao caso para repassar para os moradores. ''Não estamos fazendo pouco caso, mas os processos são antigos e demoram para serem localizados.''

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