Comunidade quer a devolução de praça
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sábado, 27 de novembro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Revoltados com a perda de uma praça, que foi permutada pelo município, empresários do Distrito Industrial Sul entraram na Justiça para reaver o espaço. A área de 7 mil m2, avaliada em R$ 325 mil e localizada na PR-445, foi cedida através de uma lei municipal aprovada em julho, apesar de estar em desacordo com a Lei Orgânica do Município.
O empresário Antônio Brassal é um dos revoltados. ''O parque industrial precisa de uma área verde'', afirma. Com a empresa localizada ao lado da área, ele afirma que a manutenção do local, bem como o plantio de árvores, tiveram muita colaboração da própria comunidade. ''E o que vão fazer com aquelas árvores que plantamos? Tem até uma araucária de 50 anos ali'', questiona.
A praça foi construída no final da gestão do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida. Os caminhos e bancos originais foram construídos com resíduos de material reciclável e a idéia era formar uma praça ecológica. A área foi cedida para um dos proprietários de lotes da avenida Ayrton Senna a título de indenização.
A advogada Maralice Gonçalves argumenta que a permuta é ilegal. ''O artigo 82 da Lei Orgânica é claro e veta qualquer doação ou venda de áreas públicas, notadamente praças. A retirada desse bem só pode ser feita se for para dar lugar a estruturas de saúde, educação ou segurança'', afirma. Ela também argumenta que a operação é lesiva ao meio ambiente e à comunidade e privilegia fins particulares.
Apesar da falta de estrutura - há poucos bancos no local - a praça é bastante utilizada por operários das redondezas em horário de almoço. ''Eu nunca vou porque sou autônomo e meu horário é corrido, mas o resto do pessoal sempre usa isso aí para descansar. Vai fazer falta'', diz o serralheiro José Roberto Mota.
O secretário de governo do município, Adalberto Pereira, não quis comentar a suposta ilegalidade da operação. ''Não vou entrar nesse mérito, os vereadores entenderam que o interesse público era maior que o individual'', disse.
Ele também argumenta que o local era originalmente destinado à instalação de empresas e o loteamento industrial foi modificado posteriormente para abrigar a praça. ''Ali não há a mínima condição de segurança, tem uma rodovia passando de um lado e uma via expressa do outro'', diz. Segundo ele, existe uma área verde a cerca de 200 metros da praça que pode ser usada pela comunidade. ''Veja bem, esse pessoal vai lá para trabalhar e não deve ter tempo para ficar em praça nenhuma'', reforça.


