Os onze anos de sofrimento dos moradores do Jardim dos Campos (Zona Norte) pareciam estar chegando ao fim no ano passado. A sonhada urbanização do bairro foi confirmada pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). Por causa do trâmite burocrático para liberação de verbas, porém, os meses passam sem que as melhorias prometidas para a área sejam iniciadas.
Cansada de esperar, a comunidade reuniu-se para protestar contra o que chamam de ''abandono da prefeitura.'' Com cartazes na mão, os moradores queriam atrair a atenção do poder público para os problemas da localidade. E problema é o que não falta no Jardim dos Campos.
Localizado nas proximidades do fundo de vale do Córrego Sem Dúvida, o bairro é dividido entre as casas regularizadas e os imóveis que serão demolidos.
Para quem vai ficar no local, a lista de necessidades é grande: rede de esgoto, galeria de águas pluviais, asfaltamento. A presidente do bairro, Maria do Carmo Brito dos Santos, 39 anos, revelou que a situação piorou com o entupimento dos bueiros do Conjunto Aquiles Stenghel.
''A enxurrada desce com força e invade as casas. Teve gente que já teve até muro derrubado pela água. Com as galerias pluviais aqui no bairro a coisa ficaria melhor'', opinou Maria do Carmo.
Enquanto as obras não saem do papel, o improviso é a arma dos moradores. No pequeno quintal da dona-de-casa Maria Aparecida Rodrigues dos Santos, 33, não há espaço para mais fossas. A força da água também fez buracos no muro e na parede da sala.
''Numa enchente no ano retrasado eu perdi tudo o que tinha. Tinha um metro de água dentro de casa. Sorte que ganhamos coisas de outras pessoas'', relatou a moradora, que é vice-presidente da associação.
No mesmo dia, a água invadiu a casa vizinha, onde a diarista Lucilene Lopes de Assis, 32, mora com o marido e quatro filhos. Ela conta que quando voltou do trabalho, encontrou tudo boiando. ''Meu marido precisou fazer buracos na parede para escoar a água'', disse. Para ela, enquanto as galerias não forem construídas, o medo de novas inundações vai voltar a cada chuva mais forte.
O caso da dona-de-casa Sandra Regina Carvalho, 30, é ainda mais dramático. Como vive há sete anos no fundo de vale, ela sabe que não pode fazer melhorias na casa onde mora com o marido e os quatro filhos, que têm entre nove anos e cinco meses. O muro que desmoronou na enchente de dezembro de 2005 permanece intocado. A falta de dinheiro para o conserto e, principalmente, a dúvida quanto ao tempo de permanência no local, uma vez que o imóvel será removido, desanimam quem até gostaria de investir um pouco para morar melhor.
''Sou cadastrada para pegar uma casa na Cohab. Mas não posso mexer aqui porque posso perder dinheiro. O certo é a prefeitura fazer logo o asfalto e as casinhas para a gente porque precisamos muito'', cobrou.

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