Comunidade protesta contra doação de área pública
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sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Um dos últimos remanescentes de área pública do Parque Waldemar Hauer (Zona Leste de Londrina), na esquina das ruas Gralha Azul com Uirapuru, já começou a ser cercado por uma empresa vizinha, que recebeu o terreno em doação da Prefeitura Municipal. Na tentativa de reverter a situação, moradores protestaram em frente ao local na manhã de ontem porque alegam que o pedaço de terra havia sido prometido pelo próprio prefeito Nedson Micheleti, em dezembro de 2002, para abrigar o Centro Comunitário do bairro.
Há pouco menos de dois meses, os moradores já haviam protestado contra a possibilidade de doação do terreno para a empresa Plastimax - Máquinas para Plástico. Na época, o projeto de lei de autoria do Executivo que doava os 3 mil metros quadrados de área ainda tramitava na Câmara Municipal. E o que a comunidade mais temia aconteceu em 26 de dezembro, quando o Legislativo aprovou e o prefeito em exercício Luiz Fernando Pinto Dias, sancionou a lei 10.121 que autorizava a doação para a empresa ampliar sua planta industrial.
Com a placa com o nome da ''Praça José Zambrin'' nas mãos, a filha do homenageado e moradora do bairro há quase 30 anos, Maria Aparecida Zambrin, disse que ''a comunidade não sabia de nada e quando viu a indústria já tinha começado a mexer no terreno''. Ela contou que a homenagem ao seu pai, pioneiro e ex-proprietário de boa parte das terras da região, aconteceu há 10 anos. ''Se era para doar para alguém que fosse então para algum pequeno comerciante do bairro que precisa muito mais'', reclamou a moradora Olinda Carvalho Neves. Até a molecada da região deve perder metade do campo de futebol que fica ao lado.
O ex-presidente da associação de moradores, Cristovão Ferreira Ramalho, mostrou documentos indicando que em dezembro de 2002 o Ministério da Previdência Social - através da Secretaria de Assistência Social - teria destinado R$ 40 mil para construção do centro comunitário e de outras benfeitorias no local. No documento, assinado por Micheleti, a prefeitura se comprometia a dar uma contrapartida de R$ 19.930,00 para completar o valor total do projeto que era de R$ 59.930,00. O projeto, no entanto, nunca saiu do papel.
O atual representante da comunidade, Manoel de Oliveira Silva, afirmou que a obra não saiu porque as promessas de doação dos recursos não foram cumpridas. Ele foi recebido recentemente pela promotora de defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, que o aconselhou a juntar todos os documentos que possui para que o Ministério Público pudesse agir. Ontem, a promotora apontou que pediu informações e documentos à Câmara sobre a doação. Caso haja alguma irregularidade, ela alertou que tal doação ''pode resultar numa ação de improbidade administrativa''. A ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) também pretende cobrar explicações do Executivo.


