Os moradores do Heimtal, o mais antigo patrimônio de Londrina, com 80 anos, estão revoltados com o que chamam de ‘‘descaso da prefeitura’’. O patrimônio, com cerca de 600 moradores, não tem asfalto e a população sofre com a falta de posto de saúde, creche e centro comunitário. ‘‘Londrina começou com o Heimtal e em 80 anos o patrimônio não teve nenhum benefício’’, diz o presidente da Associação de Moradores, Washington Moreira.
A principal reivindicação dos moradores, segundo Moreira, é o asfalto. ‘‘Quando chove, o barro prejudica o deslocamento de ônibus, entope as bocas-de-lobo e suja as casas’’, reclama. A única via asfaltada da localidade é a rodovia João Carlos Strass, que corta o patrimônio.
Moradora do Heimtal há 10 anos, a aposentada Assunta Betine Francisco, de 65 anos, reclama: ‘‘Quando chove é a lama que atrapalha e quando é tempo de seca, é aquele poeirão’’. Dona Assunta mora com o marido, o aposentado Sebastião Francisco, de 68 anos, na rodovia João Carlos Strass. Apesar da via ser asfaltada, o casal diz que também sofre prejuízos com a falta de asfalto no restante das ruas. ‘‘A lama vem para dentro das casas com a chuva’’, explica.
Uma placa na entrada do patrimônio, colocada pela Associação de Moradores, protesta: ‘‘Heimtal 80 anos – Belinati vai asfaltar’’. De acordo com Washington Moreira, há dois anos, durante campanha eleitoral, uma comitiva de candidatos assinou a ata de posse da antiga diretoria, comprometendo-se a asfaltar as ruas da comunidade. ‘‘Se passaram dois anos e nada’’, destaca o presidente da associação.
De acordo com Moreira, uma taxa de asfalto já estava sendo cobrada dos moradores há cerca de um ano. ‘‘O valor médio da prestação era de R$ 55.’’ A cobrança aconteceu até março deste ano, quando foi sancionada a lei 8.094, que autoriza o subsídio de 100% do custo do pavimento asfáltico pelo Município para os patrimônios. Há uma semana, o diretor da Associação de Moradores enviou à Prefeitura de Londrina um ofício questionando o valor total arrecadado da taxa de asfalto no patrimônio, quem tem a guarda do dinheiro e como a prefeitura vai devolver o eventual saldo. Na segunda-feira, Moreira se reúne com o secretário de Obras José Righi de Oliveira e com o secretário da Fazenda Jair Gravena, para discutir o assunto.
Segundo o secretário de Obras, José Righi, desde 4 de maio a nova lei federal de responsabilidade fiscal impede qualquer prefeitura, em ano eleitoral, de iniciar obras que não vão ser concluídas no mesmo ano em que foram iniciadas. ‘‘Os recursos para as obras que ultrapassarem esse prazo devem ser disponibilizados em conta bloqueada para a próxima gestão concluir. Por isso, estamos refazendo todos os orçamentos da secretaria, que devem estar concluídos no final de junho’’, afirma.
José Righi informa ainda que o asfalto no Heimtal só será iniciado este ano se houver recursos disponíveis. De acordo com ele, o custo do asfalto no patrimônio deve ficar em torno de R$ 600 mil.
O prefeito interino de Londrina, Jorge Scaff (PSB), diz que desconhece a reivindicação de asfalto dos moradores do Heimtal e se dispôs a receber uma comissão para se inteirar da situação. ‘‘É uma reivindicação justa, todos os bairros de Londrina merecem atenção.’’

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