Comunidade protesta contra crime impune
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domingo, 06 de junho de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Indignados com a atuação da Justiça no caso do comerciante Marcos César Gomes de Barros, 37 anos, assassinado no dia 5 de março em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), familiares da vítima mobilizaram uma centena de pessoas em protesto na manhã de ontem. Eles consideram ''injustificável'' a liberdade do vigia Guerino Firmino da Silva, 46, que foi preso em flagrante no dia do crime e confessou sua autoria.
Silva teria disparado três tiros contra Barros após o comerciante se recusar a lhe vender fiado uma dose de pinga. O crime ocorreu no próprio estabelecimento da vítima, o ''Bar do Marquinhos'' (Jardim San Rafael), na presença de testemunhas. O vigia permaneceu pouco mais de 20 dias detido até ser libertado por decisão do juiz da Vara Criminal de Arapongas, Carlos Alberto Costa.
De acordo com a advogada que representa a família da vítima, Gabriela Rodrigues Couto, o homicídio foi qualificado como ''crime hediondo'', por ter sido praticado por motivo fútil. ''Não caberia nesse caso o benefício da liberdade'', argumentou. A advogada acrescentou que, segundo consta no inquérito, Silva não possuía porte de arma, tendo alegado que o revólver usado no crime pertencia à firma de venda de caminhões onde ele trabalhava.
O sentimento de impunidade foi estampado nas várias faixas carregadas a pé e em veículos que percorreram a principal avenida de Arapongas durante o protesto. Acompanhados por uma viatura da Polícia Militar, os manifestantes conseguiram fazer muito barulho com apitos, auto-falantes e rojões. A carreata culminou com um ato no cemitério da cidade, em frente ao túmulo de Barros. ''Isso não é só um protesto para desabafar nossa revolta, nós estamos exigindo a prisão do assassino'', declarou a mãe da vítima, Clotilde de Barros, 56.
O irmão do comerciante, Rinaldo Gomes de Barros, 38, contou que a família teve dificuldade para obter informações sobre o andamento do inquérito, e que desconfia de ''influências externas'' na condução do caso. Ele questionou ainda o fato de duas testemunhas oculares do crime não terem sido chamadas para depor até ontem. ''O assassino foi visto em Arapongas há cerca de 15 dias, mas agora já não sabemos se está aqui. Temos medo de que ele fuja ou, se continuar solto, possa fazer alguma coisa com as crianças do meu irmão'', comentou.
Barros deixou três filhos, de 6, 9 e 11 anos. Antes de se tornar comerciante, trabalhou como caminhoneiro para várias firmas tradicionais de Arapongas. De acordo com o irmão, há quatro anos ele montou um bar com o intuito de se fixar na cidade e acompanhar o crescimento dos filhos.
A reportagem da Folha não pôde entrar em contato com a Justiça de Arapongas fora do expediente do Fórum. O delegado do município, Sérgio Barroso, disse apenas que ao assumir o cargo, em meados de março, o inquérito já havia sido concluído e enviado ao Ministério Público (MP).


