Comunidade planta mudas e cruzes em protesto
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Moradores e ambientalistas voltaram ontem a plantar árvores na única praça compartilhada pelos jardins Alcântara e Vale do Reno (Zona Sul de Londrina), quatro dias após a Secretaria Municipal de Meio Ambiente ter arrancado todas as mudas do local. Dessa vez, em protesto, a comunidade também plantou cruzes em toda a área.
O secretário Gerson da Silva esteve na praça durante o ato, pela manhã, e foi recebido com aplausos irônicos dos presentes. Eles criticaram os supostos critérios políticos usados para a remoção de mudas e denunciaram que as plantas arrancadas foram abandonadas num fundo de vale. ''Eram mudas mais caras e nós não conseguimos outras semelhantes'', lamentou o advogado e membro da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), Carlos Levy.
O plantio anterior havia sido feito no último domingo, reunindo moradores, crianças e membros de entidades. No dia seguinte, funcionários da Sema ''limparam'' o local sob a alegação de que as mudas eram de espécies exóticas e de que a praça estava sob litígio. Uma ação popular conseguiu barrar a permuta. ''Vamos replantar quantas vezes for preciso. Isso aqui pertence ao povo'', afirmou Maria Magdalena dos Santos, 63 anos, moradora do Vale do Reno.
Silva afirmou que técnicos da Sema analisariam as novas mudas. ''As pessoas não podem sair fazendo esse tipo de intervenção em áreas públicas sem autorização da Sema. Vamos entrar com processo administrativo.''
A promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Solange Vicentin, disse desconhecer qualquer legislação que determine a necessidade de licenciamento para que a comunidade plante mudas. ''O que a lei ambiental prevê é que é crime retirar vegetação de logradouros públicos, como a Sema fez. Já instaurei procedimento investigatório para apurar o caso e estou pedindo que o secretário se explique'', declarou.


