Comunidade pede suspensão de obra em praça
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quinta-feira, 11 de julho de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Mais de 100 moradores do Jardim Igapó (zona Sul) participaram de uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Londrina, na noite de quarta-feira. O plenário discutiu por cerca de três horas a construção de uma quadra poliesportiva na Praça Pedro Pezzarini, que há mais de 50 anos abriga o campo de futebol do bairro.
Contrários à construção, moradores convocaram a Comissão de Educação do Legislativo, o que resultou na audiência. Ficou definido que a comissão encaminhará ainda nesta semana um requerimento ao prefeito Alexandre Kireeff solicitando a suspensão temporária do projeto.
"Percebemos que todos moradores do entorno da praça são contrários aos moldes de construção da quadra. Atendemos à vontade da comunidade e agora aguardamos uma decisão. Nossa intenção é intermediar um diálogo entre comunidade e o Executivo para que seja possível chegar a um acordo", comenta o presidente da comissão, vereador Professor Fabinho (PPS).
A obra em frente à Escola Municipal Maestro Andrea Nuzzi prevê uma área total de pouco mais de mil metros quadrados, o que compromete metade do campo de futebol. Essa discussão vem se estendendo desde o mês de abril, quando os pais de alunos foram convocados pela escola a participarem de uma reunião de aprovação do projeto.
"Nós, moradores, não fomos convocados diretamente para discutir o assunto. Eles não nos apresentaram nada, nem sequer o Estudo de Impacto de Vizinhança. Espero que o prefeito reveja essa proposta porque esse projeto não nos serve. Não somos contra a escola, mas contra a construção", defende Teresa Mendes de Souza, moradora do bairro há 43 anos e representante da comunidade durante a audiência.
Ela reforça que a praça é um patrimônio público e que o local sempre foi cuidado e utilizado pelos moradores. "A forma como foi feito esse processo não foi clara para nós e é por isso que recorremos à Câmara de Vereadores. Desejamos que essa obra seja erguida em outro local até porque existe um planejamento futuro sobre a transferência dessa escola para um terreno aqui no bairro", declara Teresa.
Com a mudança, o espaço utilizado atualmente pela escola seria destinado a um Centro de Educação Infantil, para atender crianças de 0 a 4 anos. Sobre esta questão, os moradores alegam que não existe a necessidade de uma quadra poliesportiva para alunos dessa faixa etária.
"Essas crianças estão em fase de iniciação ao esporte e isso pode ser feito aqui na praça, como sempre. Isso foi devidamente detalhado por um profissional durante a audiência. Logo, a Secretaria de Educação alegou que a quadra poderia ser utilizada pela comunidade, porém, nós já temos um espaço, que é essa praça e nós já a utilizamos", argumenta uma comerciante e moradora do bairro, Ivonete Nunes.
O aposentado Lourenço Marinho, de 80 anos, passeava na praça com o bisneto Pietro e se diz contrário à implantação da quadra. "Sou a favor de manter esta praça do jeito que ela sempre foi. Frequento este local há muitos anos e acho incrível, pois nos finais de semana ela fica movimentada, com jogo de futebol e brincadeiras das crianças. É agradável", conta.
Na rua
A verba para a construção da quadra poliesportiva viria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Em entrevista cedida à FOLHA no mês de maio, a diretora de projetos da Secretaria Municipal de Educação, Adriana Sola, explicou que o dinheiro para a obra foi disponibilizado em abril pelo FNDE e o projeto foi elaborado para que o município não perdesse esses recursos.
A diretora ainda reforçou que os alunos da escola municipal realizam as atividades de educação física na rua, justamente pela falta de uma quadra.
A reportagem procurou a secretária municipal de Educação, Janet Thomas, pelo celular, mas as ligações não foram atendidas. A diretora de projetos também não pôde atender aos recados. A assessoria de imprensa da prefeitura foi acionada, mas não conseguiu contato.


