O delegado chefe da Divisão da Capital, Clóvis Galvão, considera que a recuperação dos presos não cabe apenas ao trabalho dos religiosos. ‘‘A comunidade pode ajudar nessa recuperação’’, diz. Segundo ele, existe um grupo de pessoas que presta serviços gratuitos às delegacias, mas que ainda é pequeno. Por exemplo, no 8º Distrito Policial, o conselho comunitário oferece aos 96 presos cortes de cabelos, tratamento médico e odontológico.
No início do ano, os presos do distrito do Portão puderam prestar serviços participando da confecção de pequenos trabalhos manuais. Foram construídos bonecos de isopor, doados às escolas da região, para serem usados em festas. ‘‘O fato dele se sentir útil e ocupado, faz com que ele deixe de pensar em coisas ruins em seus pequenos cubículos’’, diz o pastor Onésio Custódio.
O dentento Dorival Menezes dos Santos conta que esta ‘‘dobradinha’’, trabalho e religião tem ajudado a não se meter em encrenca. ‘‘Para a gente passar a viver melhor, pagando à sociedade a nossa burrada, é preciso que também tenhamos acesso à Justiça’’, diz.
O preso José Roberto Carneiro, que é evangélico, também considera que falta o acesso a advogados. ‘‘Hoje deveria estar cumprindo pena em liberdade condicional, mas por falta de defensor vou ficar aqui’’, queixa-se.

mockup