Comunidade não concorda com desativação de colégio
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segunda-feira, 17 de setembro de 2001
Marcos Zanatta (BR) De Maringá 
A primeira escola construída na área central de Maringá, o Colégio Estadual Osvaldo Cruz, pode ser desativada para o próximo ano letivo. A proposta da Secretaria de Educação desagradou a direção da escola, professores, pais e alunos. ''Não existe justificativa para acabar com o Osvaldo Cruz'', desabafa a diretora Sueli Silva Uber. O Estado quer cumprir um decreto que cobra das escolas a manutenção de alunos que moram próximo ao estabelecimento.
No Osvaldo Cruz, que hoje está em uma área com muitos edifícios, apenas 42 dos quase 700 alunos moram nas proximidades. ''Realmente a maior parte dos nossos estudantes vem de outros bairros, mas os pais trabalham por perto e estão chateados com a possibilidade da escola fechar'', revela Sueli. Ela diz que ainda não foi comunicada oficialmente sobre a desativação, mas confessa que o Núcleo Regional de Ensino tem interesse em ocupar o prédio.
A chefe do núcleo em Maringá, Dilce Genari, confirma que o Estado quer o decreto que cobra que o aluno more perto da escola obedecido. ''A maior parte dos alunos do Osvaldo Cruz não mora perto da escola. Alguns vêm até de cidades da região'', diz. O que a secretaria quer, segundo ela, é evitar que escolas de bairros fiquem ociosas. Dilce confirma que se a escola for desativada, o núcleo se muda para o imóvel.
O prédio, no entanto, foi construído em um terreno doado pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, para abrigar uma escola. Se o colégio não tiver mais alunos, a empresa pode pedir o imóvel de volta. A direção da companhia não se manifesta a respeito do assunto. O Colégio Osvaldo Cruz nasceu como Escola Maringá Novo, em 1948, quando a cidade começou a crescer para o lado onde hoje é o centro. São apenas 10 salas de aulas e a falta de uma quadra esportiva obrigou a transferência da 5 à 8 séries.
Professores, na tentativa de sensibilizar as autoridades, levantaram o histórico do colégio, que passou a se chamar Osvaldo Cruz em 1955. O compositor Joubert de Carvalho, autor da música Maringá, compôs um hino para a escola em 1959, depois de conhecer o estabelecimento. ''Acho que é a única escola da cidade que tem um hino'', lembra a diretora Sueli Uber. Apenas em 1965 o colégio ganhou o prédio em alvenaria. Ela conta que nunca faltaram alunos, e a maioria que entra na 1 série só sai na 4 porque é a última oferecida no Osvaldo Cruz.


