Comunidade mantém guarda montada
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quinta-feira, 03 de agosto de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
Moradores do Jardim Esmeralda, zona oeste de Cascavel, estão garantindo sua segurança física e patrimonial com uma guarda montada. A iniciativa é da própria comunidade, que remunera os guardas e garante a alimentação dos cavalos. Moram no bairro, nas imediações do Estádio Olímpico, aproximadamente 600 famílias de baixo poder aquisitivo. As que podem pagam mais (em média, R$ 6,00 por mês), outras contribuem com apenas R$ 1,00, e há as que não podem contribuir mas mesmo assim têm suas casas vigiadas.
A idealizadora da guarda montada comunitária é a dona de casa Márcia Bello, 39 anos, três filhos, presidente da associação de moradores. Márcia prestou serviços diversos à Polícia Civil durante mais de 13 anos. Foi delegada nomeada de Capitão Leônidas Marques durante seis anos. O marido dela, Valdir Reis, 42 anos, é subtenente aposentado da Polícia Militar. Ele colabora com sugestões para que a guarda montada trabalhe com segurança.
A guarda é composta por quatro homens dois já trabalharam em empresa de vigilância. Eles usam como armas cassetete, lanterna, apito e colete. A principal é o próprio cavalo, mais rápido e eficiente que o carro ou a bicicleta em manobras curtas, entrada em terrenos baldios ou íngremes e matagais. Além disto, o cavalo impõe respeito, diz o guarda Marins de Oliveira, 44 anos, quatro filhos. Os animais foram adquiridos por Márcia Belo. Os guardas recebem, em média, R$ 170,00 mensais, trabalhando das 20 horas às 5 horas.
Márcia Bello admite que o fato dos guardas não terem registro em carteira é um risco. Mas, sem emprego, o risco é de morrer de fome, argumenta. Se as famílias tivessem que pagar também a parte previdenciária, teria muita burocracia, ficaria caro, e acabaria inviabilizando tudo. O importante, segundo ela, são os resultados que estão sendo obtidos: os arrombamentos (e assaltos) de casas foram reduzidos em 90%. Em julho foram apenas três. Os guardas imediatamente conseguirem recuperar as mercadorias roubadas na perseguição aos arrombadores.
A Polícia Militar (PM) raramente faz ronda no bairro, mas é chamada quando há alguma situação de maior risco. Além das dificuldades de infra-estrutura, a PM convive agora com o corte de 40% no orçamento da Secretaria de Segurança Pública. Os cavalos durante o dia são levados para pastar em terrenos baldios. Segundo Márcia Bello, outros bairros de Cascavel estão se interessando pela experiência.


