Comunidade improvisa campinhos de futebol
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Lucio Flávio Cruz e Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina Os "campinhos" de bairros são cada vez menos comuns nas cidades. O crescimento imobiliário ocupou diversos terrenos onde a bola rolava e trazia a alegria de crianças e adultos. Em Londrina, a situação não é diferente. Os poucos campos que ainda existem estão, na maioria das vezes, abandonados e em péssimas condições de uso.
No Jardim do Sol, zona oeste, Gabriel Alex Trocini, de 10 anos, jogava bola, no último domingo, com o irmão Miguel, de 4, em um antigo campo localizado no terreno da Associação de Moradores. Hoje faltam traves, o gramado está cheio de buracos, não há marcação e o alambrado está totalmente destruído. Um placar "caindo aos pedaços" indicava que o local era denominado "Arena da Zona Oeste". "Quando a gente monta dois times aqui tem que fazer os gols com dois tijolos de cada lado. Precisava mesmo de um campinho melhor", admitiu o menino.
Na zona norte, a falta de campos também é evidente. O time dos irmãos Evandro da Silva Francisco, de 26, e Mário Júnior, de 25, moradores do Conjunto Vivi Xavier, precisa se deslocar todo fim de semana para jogar longe de casa. "No Vivi tem pelo menos uns seis time de suíço e não temos nenhum campo no bairro. Temos que jogar sempre fora", contou Evandro. No domingo a equipe atuou no campo do Residencial Ouro Verde. "Tenho certeza que se tiver uma estrutura legal no Vivi a comunidade vai cuidar e preservar o espaço", garante Mário Júnior, que revela que a quadra que existe no bairro está bem cuidada pelos moradores. "Com pouco lugares temos que acabar pagando para jogar e o preço está bem alto nos campos privados da cidade", acrescenta.
O time do Parigot 2, do Conjunto Parigot de Souza, joga junto há mais de 10 anos e sempre longe de casa. O bairro não possui um campo de suíço ou sintético. "Aqui é preciso mesmo. Na semana passada tivemos que ir jogar lá no Sabará (zona oeste) porque não temos lugar no bairro. Ajudaria muito um espaço desses até para as crianças poderem usar", ressaltou o pedreiro Adílson Cesário Santos, de 39 anos.
Existe até um campo de futebol oficial, mas é pouco utilizado. "Hoje todo mundo só joga suíço ou sintético. É difícil arrumar dois times para jogar toda semana no campão", explicou o comerciante José Roberto Lara, de 45.
Incentivo
"Ia ser muito legal", comentou um garoto de 9 anos, enquanto jogava bola com o irmão mais velho e um amigo, no Jardim Santa Fé (zona leste), sobre a possibilidade de ter um campinho no bairro. Para poder jogar, o trio improvisou um gol com tijolos no asfalto. "Teria que ser um campinho com gol, grama e luz para a gente jogar à noite também. A gente joga todo dia depois da escola, mas na rua é ruim porque vive passando gente e carro. Daí, a gente tem que parar toda hora", disse o garoto de 11 anos.
Para o morador José Carlos Pereira dos Santos, a região leste merece ser beneficiada. "Em todos os cantos tem molecada jogando bola, mas aqui não tem um lugar próprio e a maioria brinca na rua. Acho que dessa forma ia até incentivar as crianças a praticar o esporte", afirmou.
Na zona sul, especificamente no Jardim Monte Belo, a garotada ganhou um local improvisado pela própria vizinhança para jogar futebol. "Todos os dias a rua ficava cheia de crianças jogando bola na rua e aqui é muito perigoso. Os carros passam em alta velocidade e nem toda hora dá para a gente ficar de olho. Como sou serralheiro, resolvi montar um gol para que eles fossem brincar na grama", contou Paulo Monteiro de Araújo.
O campo improvisado fica no fundo de vale Lagoa Dourada, mas mesmo com o esforço dos moradores, a criançada quer um local próprio. "Depois da aula vem todo mundo jogar. Tem dias que dá até para formar dois times, mas esse campo é ruim. Como é improvisado, o gramado é torto. Seria muito legal se um desses campinhos fosse instalado aqui no bairro", disse um adolescente de 15 anos.
Para tentar mudar esta realidade o governo estadual lançou recentemente o projeto "Meu Campinho". A meta é construir 200 campos de grama sintética iluminados em bairros carentes para garantir a prática esportiva de crianças e adolescentes. Ainda não está definido o valor do investimento, a origem dos recursos e quando efetivamente o programa sairá do papel. O programa é uma ação conjunta das secretarias estaduais do Esporte e do Desenvolvimento Urbano.


