Comunidade homenageia Amanda com missa e passeata
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segunda-feira, 05 de novembro de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
''Com certeza, ela já está junto de Deus, na sua glória'', assegurou o monsenhor Bernardo Gafá, durante a missa de 7º dia da jovem Amanda Rossi, 22 anos, realizada ontem de manhã, na Catedral Metropolitana de Londrina. Amanda foi encontrada morta por sufocamento dentro da Unopar, dia 29, depois de mais de 30 horas desaparecida, em um crime que ainda não foi solucionado. Mais de 500 pessoas, entre familiares, amigos e comunidade em geral, participaram da missa, transmitida também pela Rádio Alvorada.
Durante a celebração, uma prima de Amanda leu uma mensagem e dezenas de pessoas, vestidas com uma camiseta com a foto da jovem, reuniram-se em frente ao altar em homenagem a ela, sendo todos bastante aplaudidos. A celebração coincidiu com a festa de Todos os Santos da Igreja Católica, e os dois temas foram inter-relacionados pelo monsenhor Bernardo, que observou que Amanda foi uma santa dos dias atuais. ''Ser santo é ter mãos puras, ter o coração inocente e não se dirigir para o crime, usando a própria inteligência para ajudar a fazer os outros felizes. Façamos isso e seremos santos'', afirmou.
Amanda foi catequista e membro do grupo de jovens na paróquia que frequentava, na Vila Fraternidade. Lá, foi realizada uma missa em sua homenagem no sábado. E hoje será a vez da comunidade acadêmica da Unopar reunir-se com familiares em um culto ecumênico, a partir das 19h15, no campus Piza.
Depois da celebração na Catedral, cerca de 100 pessoas reuniram-se na praça Marechal Floriano Peixoto para iniciar uma caminhada silenciosa pelo Calçadão, terminando no ponto onde antigamente ficava o coreto. Mais do que um clamor por justiça e pelo fim da violência, a missa e a caminhada foram uma forma de familiares, amigos, conhecidos e a comunidade em geral homenagear a jovem por tudo o que ela conquistou em vida. ''Queremos falar só de alegria porque Amanda sempre foi assim'', definiu Luiz Rossi, pai da estudante.
Bastante calmo, Luiz disse acreditar que em poucos dias o crime vai ser solucionado, apesar de assumir que não recebeu da polícia nenhuma informação nova sobre o caso. ''Espero que a pessoa que fez isso não esteja dormindo, atormentada, e se entregue, vai ser melhor porque ela já está em uma situação muito difícil'', pediu. Já a mãe, Maria Francisca, emocionou-se várias vezes durante a manhã. ''Dá um vazio grande, o coração da gente parece que não vai aguentar, e, se não fosse o consolo de Deus, acho que eu nem conseguiria estar de pé agora. Eu não acredito que a minha filha morreu, apenas o corpo dela é que foi. Para mim, ela continua sempre presente, como se estivesse viajando e daqui a pouco fosse voltar'', desabafou.
''É confortador tanto para nós, que somos amigos, quanto para a família ver que as pessoas estão se compadecendo; o sorriso dela comoveu o Brasil'', observou a amiga Vânia de Fátima Bernardo. Já Rose Monteiro participou da passeata mesmo sem conhecer Amanda ou seus familiares. ''A sociedade deveria estar aqui em peso, não deveria se omitir. Se o povo se levanta, alguma coisa acontece'', opinou.
Caso Jheniffer - Durante a caminhada, no meio de faixas e cartazes em homenagem a Amanda Rossi, outro caso também foi lembrado: o de Jheniffer da Paixão Sper, 18 anos, morta em 13 de outubro do ano passado. Segundo a mãe de Jheniffer, Joelma Aparecida da Paixão, os dois casos teriam algumas características parecidas. ''Minha filha foi morta perto da escola Pestalozzi, onde a Amanda fazia estágio, e jogada na Estrada dos Pioneiros. Como minha outra filha fazia Educação Física na Unopar, a Jheniffer frequentava bastante lá. E ela também foi encontrada morta com pancadas no rosto e na cabeça e foi asfixiada'', comparou.
Joelma reconheceu que a filha já tinha se envolvido com drogas, mas assegurou que a jovem havia conseguido se distanciar do vício, e que exames comprovaram que ela estaria ''totalmente limpa'' quando foi assassinada. ''Mas o crime ainda não foi solucionado'', afirmou.


