Silvana sente-se mais disposta. Como ela, Sandra, João, Maria Aparecida e Lurdes. Tudo por conta da yogaterapia, que o grupo realiza todas as quintas-feiras de manhã, na sede do Clube das Mães Unidas, no Jardim Interlagos, Zona Leste de Londrina.
''Trabalho com biscuit e uso muito as mãos e depois que comecei a fazer yoga, destravei, melhorei bastante. Meu marido também notou'', comentou a artesã Silvana Marques de Oliveira, de 40 anos. A dona de casa Maria Aparecida de Araújo, 54, sentia dores na coluna e nos braços e descobriu na yogaterapia uma oportunidade de desenvolver o físico.
Ela é voluntária no Clube das Mães Unidas e leva o que aprende nas aulas de yoga para os doentes acamados atendidos pela entidade. ''Me aposentei e comecei a procurar algo para fazer. Queria ajudar as pessoas, então vim ao Clube, onde também iniciei as aulas de yoga. Para mim, a terapia não melhorou só o físico mas, principalmente, a mente. Além de me socializar melhor, transmito o que aprendo para outras pessoas, o que é muito gratificante.''
O casal Sandra Regina Garcia Bacaroglo, 59, e João Bacaroglo, 66, iniciou a yogaterapia a convite da professora Silvia Bachstein. E a melhora nas dores na coluna de Sandra foi quase imediata. ''Comentei com a professora que achava que tinha uma perna mais curta que a outra e ela orientou que as aulas de yoga seriam ótimas para o meu problema. Depois de apenas três aulas já senti as mudanças e hoje sou outra pessoa'', declarou a dona de casa, que diz ter ''recarregado as baterias'' com a terapia.
João é o único homem da turma e tira de letra as caras e bocas necessárias para encarar as posições da yoga, capz de transformar até um gato equilibrado num leão que faz caretas. Para ele, a terapia faz ''tudo fluir melhor''. ''A yoga não faz só bem para a coluna, faz um bem como um todo'', definiu.
A artesã Aparecida de Lurdes Gonçalves, 58, estava num estado avançado de depressão quando buscou ajuda na yogaterapia. ''Nem os remédios indicados pelo meu geriatra estavam resolvendo, minha auto-estima estava lá embaixo e comecei a sentir no organismo os efeitos da medicação. Meu joelho não dobrava mais'', recordou a artesã, ajoelhada sobre o colchonete. ''Com a terapia, recuperei meus movimentos, perdi o medo de sair de casa, de conversar com as pessoas na rua. Tudo melhorou'', completou.
Segundo a naturoterapeuta Silvia Bachstein, responsável pelas aulas de yoga do Clube, o projeto nasceu em março deste ano, como complemento à terapia floral que ela já aplicava nos pacientes beneficiados pela entidade. ''Eles estavam com o emocional bloqueado, então me ofereci para iniciar a yogaterapia. Foi excelente em todos os sentidos porque só o floral não estava destravando o pessoal e com a yoga eles começaram a sorrir para a vida'', explicou.
Silvia contou que no início nem todos conseguiam executar as posições dos exercícios corretamente. Alguns nem mexiam o braço. ''Trabalhamos com todas as filosofias de yoga, danças terapêuticas e também com meditação, que eles gostam bastante. E é justamente neste processo de interiorização que eles ganham consciência corporal e do próprio eu. Se amando, se conhecendo, eles começam a amar o próximo'', declarou a professora, confessando que em decorrência da yoga, muitos pacientes deixaram de usar os florais.
Tanto a yogaterapia quanto a terapia floral são oferecidas gratuitamente aos moradores da comunidade do Jardim Interlagos e proximidades. Conforme Silvia, a procura pela yoga foi tanta que ela teve de abrir mão da terapia floral, hoje a cargo de outra voluntária.
Outra terapia alternativa que faz sucesso no Clube é o reiki, baseado na manipualação da energia vital através da imposição das mãos. Mas segundo Silvia, aplicações têm sido canceladas por falta de voluntários.

Serviço
- Interessados em participar da yogaterapia podem entrar em contato com o Clube das Mães Unidas pelo telefone (43) 3325-6488. Reikianos interessados em ser voluntários podem obter mais informações sobre as sessões com a professora Silvia Bachstein pelo telefone (43) 9960-9243.

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