Os moradores do Distrito Espírito Santo (zona sul de Londrina) que necessitam de atendimento médico recorrem à Unidade Móvel de Saúde (Unimos), que vai até à localidade semanalmente. Porém, o anúncio de que o serviço seria interrompido por cerca de 30 dias para conserto do veículo, deixou os moradores preocupados.
Na tarde de quarta-feira, cerca de 20 pessoas se reuniram em frente à Capela Divino Espírito Santo para exprimir sua revolta. A dona de casa Benedita Dias Esteves, de 70 anos, disse que é hipertensa, tem arritmia cardíaca e varizes, que a impedem de fazer grandes deslocamentos. Ela destacou que semanalmente recorre ao ônibus para ser submetida a uma avaliação e pegar os medicamentos de uso contínuo. "Para vir até aqui no ônibus a gente já sente um cansaço, a respiração fica ofegante e a perna não ajuda. Imagina se eu tiver que me deslocar para outro lugar para ser atendida?" A dona de casa Daiane Pereira de Souza, de 23 anos, tem paralisia nas pernas e reclama que deslocamento para outro lugar é inviável devido à sua condição.
Mais do que a visita semanal de uma unidade móvel, a comunidade reivindica a construção de uma unidade básica de saúde no distrito. "Outro dia a minha filha, que é hipertensa, passou mal e chamamos o Samu, mas eles alegaram que tinham muitos casos para atender antes e acabaram não vindo", reclamou Terezinha Cândido, de 63 anos. Outra moradora do distrito, Evanilde Fátima Alteko, de 50, relatou que sua filha teve derrame e que o socorro demorou mais de uma hora para chegar. "O que precisamos aqui é de uma unidade básica de saúde. Durante a campanha o prefeito falou que aqui teria um médico para poder atender todo mundo e agora interrompem o serviço do ônibus?"
O pedido de uma UBS é uma reivindicação antiga, anterior até a 1990, ano em que foi criada a unidade móvel de saúde. A doméstica Rosemeire Pereira de Souza diz que mesmo com o ônibus a situação é ruim. "Com o ônibus eles atendem apenas 14 pessoas por dia. Se passar disso eles deixam para a próxima semana."
A doméstica Márcia Pereira de Souza destaca que a UBS mais próxima fica no Patrimônio Regina, a cerca de 4 km. "Mesmo lá não é sempre que têm médicos. Na realidade, quando a gente passar mal terá de ir para a cidade, para o PAM (Pronto Atendimento Municipal)", destacou. A distância entre os dois pontos chega a mais de 10 km.
A funcionária da Capela Divino Espírito Santo, Ivani José da Silva Abreu, foi quem recebeu o comunicado sobre a interrupção dos serviços das enfermeiras que atuam na Unimos. "Elas falaram que era o último dia e que não iriam mais atender aqui. Meus pais sempre precisaram buscar medicamentos no ônibus. Vai ser muito difícil para eles", explicou. Ela ouviu as enfermeiras dizerem que havia o risco do serviço não ser retomado, pois o ônibus está bem antigo.

Deslocamento
A técnica de gestão da Secretaria Municipal de Saúde, Amanda de Souza, a interrupção não será definitiva, mas por 30 dias, para conserto do motor do veículo. "Enquanto isso as pessoas terão que ser atendidas na UBS do Patrimônio Regina", orientou. Ela disse que um representante da comunidade solicitou que durante esse período uma equipe permanecesse na associação de moradores para realizar o atendimento. "Ele terá que fazer esse pedido por escrito e vamos analisar se é viável ou não", afirmou.
Não será apenas a comunidade do Espírito Santo que será afetado. Os moradores do Jardim São Jorge, Patrimônio de Heimtal (ambos na zona norte) e Assentamento São Francisco (zona sul), que também eram atendidos pela Unimos, terão de recorrer a serviços de outras unidades.
A gerente das unidades de saúde da região rural, Cíntia Taira, explicou que os moradores do São Jorge terão de ir à UBS do Chefe Newton, os moradores do Heimtal devem se dirigir à UBS do Maria Cecília e a comunidade do São Francisco deverão procurar a unidade do Jardim Bandeirantes (zona oeste). "O atendimento será feito como se fosse na Unimos. A pessoa chega, passa por uma avaliação com uma enfermeira que decide se a consulta será no dia ou pode ser em outra data", destacou.
Para as pessoas que possuem dificuldade de locomoção, Cíntia explicou que as equipes do Programa Saúde da Família poderão auxiliar no trabalho.

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