Comunidade fica sem água em Abatiá
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sexta-feira, 16 de junho de 2000
Edna Mendes Enviada a Abatiá 
A falta de água provocada pela estiagem está deixando muitas famílias da localidade de Guergolette, em Abatiá (61 km a oeste de Jacarezinho) em condições precárias de sobrevivência. Metade dos moradores não tem água nem para as necessidades básicas. Existe no local apenas um poço artesiano que abastece 25 propriedades. Cerca de 20 famílias dependem da água de poços comuns ou minas que secaram com a estiagem.
Os moradores reclamam que o projeto inicial para a perfuração do poço artesiano previa que todas as famílias da localidade seriam beneficiadas com a água. Porém, metade dos moradores não tem água encanada do poço, que tem 64 metros de profundidade. Os agricultores também reclamam que o poço fica na parte mais baixa da localidade, na beira do Rio Água das Perobas, o que dificulta o trajeto da água até as propriedades que ficam na parte mais alta.
O poço beneficia, principalmente, quem tem outras fontes de água. Os moradores que mais necessitam de água, ficaram de fora. Temos que puxar água em galões até para dar aos animais. A situação aqui é crítica e as autoridades não tomam nenhuma providência, queixa-se o agricultor Aparecido Donizete Contijo, 40 anos, pai de quatro filhos. Na propriedade dele não há nenhuma alternativa de captação de água.
Contijo, que mora há 16 anos na localidade, contou que precisa levantar de madrugada para buscar água com a carroça ou trator. É muito sofrimento. Não temos água para nada. Estamos padecendo com a seca. Há alguns dias o prefeito me disse que não tinha conhecimento do motivo que deixou metade da população daqui fora do projeto, disse.
O agricultor Santo Escaraber, 38 anos, disse que a propriedade dele também não foi beneficiada com a água do poço artesiano. Ele avalia que se não chover nos próximos dias, a situação pode piorar. Eu não tenho nenhum tipo de condução para ir buscar água em outros locais e temo pela minha família. Aqui tudo é longe. Estamos revoltados. Isso aqui está parecendo o Nordeste do Brasil, desabafou.
O agricultor Joaquim Ferreira, 44 anos, observa que na localidade o problema maior não é a falta de água e sim a falta de planejamento para distribuição. Água até que tem, mas o problema é que ela não chega até quem precisa por falta de organização da prefeitura e da Sanepar, disse.
O gerente da Sanepar para obras na região, Rafael Nageyama, disse à Folha que nos próximos dias vai encaminhar uma equipe técnica para a local e só depois poderá prestar esclarecimentos mais embasados sobre as reclamações dos moradores. Ele ressaltou ainda que o projeto para a perfuração do poço artesiano foi feito pela Sanepar, mas foram os geólogos da Superintendência de Controle dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) que definiram o local da perfuração.


