A aposentada Ana Bassetto Fraide, 71 anos, foi a vítima mais recente de atropelamento na Avenida Dez de Dezembro (Área Central de Londrina) há cerca de um mês, quando chegava à Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Casoni para buscar remédios. Para evitar a repetição de ocorrências como a que feriu a idosa, médicos, enfermeiros e a comunidade da região se mobilizaram ontem à tarde e, durante 1h30, realizaram uma manifestação pedindo urgência na instalação de um semáforo na avenida e mais atenção e respeito dos motoristas.
Dona Ana contou que quando tentava atravessar uma das pistas da avenida, que é uma via rápida e de grande movimento de veículos, observou que não vinha nenhum carro. Mas como não tem agilidade para se locomover, ela acabou sendo atingida por um motociclista antes de chegar ao canteiro central. ''Demorei para atravessar, ele veio muito rápido e me pegou'', apontou. A vítima foi lançada por alguns metros e teve ferimentos nas pernas. A aposentada disse que tem muito medo de cruzar a avenida. No ano passado, uma amiga dela foi atropelada no mesmo local e não resistiu aos ferimentos.
Ir ao posto de saúde, à feira ou à igreja, segundo Ana, ''é um desespero para os idosos, porque os motoristas não respeitam''. O construtor Altair Murilio, 41 anos, usa a avenida diariamente e, mesmo tendo que esperar por alguns minutos por causa da interrupção no trânsito, concordou com o protesto: ''muitos motoristas realmente não respeitam os pedestres''. Por isso, ele se disse favorável à instalação de um semáforo em frente à UBS para aumentar a segurança de quem precisa atravessar.
Estagiário da UBS, o estudante de medicina Igor Schincariol Perozin, 24 anos, fez uma pesquisa entre os usuários do posto e detectou que a maior necessidade acusada pelos idosos foi a instalação do semáforo. ''É uma via rápida e os motoristas não têm muita atenção nem paciência com os idosos que possuem mobilidade reduzida'', observou. A UBS atende mais de 300 pessoas por dia, em sua maioria idosos com problemas de hipertensão.
O protesto, segundo a docente do curso de enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Regina Gil, foi uma organização coletiva da comunidade, que se cansou de esperar que a Companhia de Trânsito e Urbanização (CMTU) resolva o problema. Munida de documentos, ela apontou que a previsão era de que o semáforo fosse instalado no ano passado, mas uma empresa participante da licitação entrou com recurso e a questão foi parar na esfera judicial. ''A comunidade não pode ficar esperando por uma decisão'', reclamou.

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