Comunidade espera há décadas por asfalto
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Em setembro de 2000, a FOLHA publicou uma matéria sobre os problemas que os moradores das Chácaras Santa Maria, em Cambé, estavam enfrentando devido à falta de asfalto. Sete anos depois, a reportagem retornou ao local e a situação continua exatamente a mesma. ''É muita poeira e lama. Pago R$ 600 de IPTU, e quando fui reclamar que estava caro, a prefeitura falou que era porque aqui já é considerado zona urbana. Se é urbana, tinha que ter pelo menos ônibus e asfalto. A gente queria apenas o que é de direito nosso'', reivindicou o motorista Edeval Cunha Gomes, acrescentando que é preciso caminhar mais de um quilômetro para ir à escola fundamental, ao ponto de ônibus e ao posto de saúde mais próximos.
A professora aposentada Roseli Villas pediu para uma empresa despejar entulho de construção para conseguir tapar o buraco que foi se formando em frente à propriedade, que fica em uma rua em declive. ''Sem isso, quando chovia era impossível atravessar o buraco para sair de casa'', revelou.
O problema se estende ao loteamento ao lado, Chácaras Cambé Londrina. ''O loteamento tem 40 anos e faz 30 e poucos que estamos reivindicando o asfalto. E a situação piora cada dia mais'', reclamou o funcionário público Edgar Vector, que mora no local.
''De vez em quando a prefeitura também despeja pedras, mas elas ficam soltas. E a chuva leva tudo para o Ribeirão São Domingos, ou, no outro lado, para o Ribeirão Esperança, e acaba poluindo as águas'', alertou João Pedro dos Santos, presidente da Associação dos Moradores das Chácaras Santa Maria e Cambé Londrina. Segundo Santos, ao todo, há 232 chácaras à espera de asfalto e galerias pluviais nos dois bairros.
O presidente da associação fez um abaixo-assinado para reivindicar as melhorias, que teriam sido prometidas mais de uma vez, ao prefeito de Cambé. ''Em novembro de 2005, nós assinamos um termo de adesão, mas depois a prefeitura voltou atrás, alegando que não tinha verba. Na última reunião com o prefeito, ele alegou que não tinha recursos, mas na campanha eleitoral ele havia prometido asfaltar inclusive a Avenida Esperança, que é de paralelepípedos'', lembrou.
Além do asfalto e galerias pluviais, os moradores também reclamam da falta de escolas de 5 à 8 séries e ensino médio, iluminação, transporte coletivo e um centro comunitário.
Segundo o secretário municipal de obras, Alcino Fávaro, embora estejam na zona urbana os loteamentos são considerados chácaras de lazer, por isso não é possível obter recursos através do Paraná Cidade. ''Não há projeto aprovado para asfalto na região por financiamento'', informou. Sobre o termo de adesão, ele informou que o problema foi justamente a falta de adesão por parte dos moradores.
Fávaro afirmou ainda que uma forma que evitar a erosão e demais estragos provocados pela chuva seria a construção de galerias, mas faltam recursos. ''A gente tenta atender a população como pode, colocando moledo, por exemplo.'' Quanto à iluminação, ele disse que o padrão utilizado no local é o que era usado na época de contrução do loteamento, com postes de 70 watts. E em relação à falta de ônibus, Fávaro argumentou que no passado foi oferecida uma linha para atender a população que tempos depois foi suprimida por falta de passageiros. (Colaborou Silvana Leão)


