Comunidade escolar quer saída de diretora
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sexta-feira, 09 de novembro de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Colégio Estadual do Paraná, maior instituição da rede estadual de ensino, suspendeu suas aulas no dia de ontem. Cerca de 200 alunos, professores e funcionários se reuniram em frente ao colégio para continuar os protestos, que vêm sendo feitos desde terça-feira, com objetivo de conseguir o afastamento imediato da diretora-geral do colégio, Maria Madselva Ferreira Feiges. Os alunos se dizem insatisfeitos com o trabalho da direção e já encaminharam pedido para que haja eleição direta para o cargo. Ao contrário de outras escolas públicas, o Colégio Estadual segue um regime especial, estabelecido em lei, que prevê que o diretor do colégio seja indicado pelo governador e não por eleições com a participação de alunos, professores e funcionários.
Enquanto os alunos faziam o protesto no pátio da escola, ontem de manhã, corria o boato de que os professores e funcionários com cargos de confiança na instituição, que apóiam a substituição da diretora, seriam afastados e que as funções seriam preenchidas por pessoas do Núcleo Curitiba da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Alunos e professores prometem dar continuidade ao movimento hoje e a expectativa é que aconteça uma nova reunião de negociação com a direção e representantes da Seed.
Os alunos iniciaram os protestos na terça-feira. Eles reclamam que a diretora é ''autoritária.'' No mesmo dia, professores e funcionários redigiram um documento, entregue à direção, onde enumeram 25 problemas a respeito de posturas adotadas. ''A prática da diretora é incoerente com sua teoria. Ela tem se revelado uma ditadora, toma atitudes anti-democráticas como perseguir quem não concorda com ela. O assédio moral é constante'', diz a professora Maria Luiza Rocha Lacerda.
Um dos pontos levantados no documento questiona o fato da diretora ter aprovado por ato administrativo diversos alunos que tinham sido reprovados por professores no ano passado. ''Com isso ela desqualificou o trabalho dos professores, gerando uma desarmonia muito grande'', diz a professora, ressaltando que por várias vezes a diretora teria desqualificado publicamente o trabalho de alguns professores e funcionários.
Anteontem, a situação ficou mais tensa no colégio. Os alunos fizeram nova manifestação, que culminou com a detenção de dois deles pela Polícia Militar (PM). Os dois foram encaminhados para a Delegacia do Adolescente e deveriam ser liberados até o final da tarde. Ontem, na manifestação também foi identificada a presença de um PM, que estava à paisana, filmando o protesto.
Em nota oficial, a secretaria informou que, por enquanto não haverá mudança na direção do Colégio Estadual do Paraná. ''A Secretaria de Estado da Educação (Seed) considera que, quando todos os canais institucionais de comunicação e diálogo estão assegurados, a interrupção das aulas constitui conduta inaceitável. A Seed reafirma seu apoio e confiança na direção do CEP e sua disposição de tomar as providências legais cabíveis, para assegurar o pleno funcionamento da instituição escolar'', diz a nota.
Ainda de acordo com a secretaria, a diretora do CEP teria relatado ao secretário de Estado da Educação, Maurício Requião, que o descontentamento do grupo seria resultado de ''uma série de medidas de aperfeiçoamento pedagógico, eliminação de privilégios e de introdução de controles funcionais, como de horário e presença por meio de livro-ponto''. Até o fechamento desta edição, a Seed não se manifestou sobre eventual afastamento de professores que querem a saída da diretora. A reportagem tentou entrar em contato com Maria Feiges mas não obteve sucesso. (Colaborou Andréa Lombardo)


