Comunidade é marcada por migração
Comunidade é marcada por migração
A migração dos Avá-Guarani da Reserva de Ocoí começou no início dos anos 70, pouco antes das águas do Lago de Itaipu alagarem as terras que margeavam o Rio Paraná. Os índios viviam em uma região delimitada pelos rios Jacutinga e Ocoí, no extremo oeste do Estado. Em 1973, a área não estava demarcada e os índios eram considerados paraguaios que deviam voltar para o país vizinho.
O pesquisador Edgar de Carvalho foi indicado pela Associação Brasileira de Antropologia para avaliar o caso, e comprovou que todos faziam parte da mesma etnia. Então a Funai e os diretores da Itaipu iniciaram uma negociação, que acabou definindo a atual área.
Ainda assim, boa parte dos integrantes não aprovou o local, considerado pequeno (231 ha) para as centenas de famílias. Já nos anos 90, os índios iniciaram uma onda de protestos, com acampamentos na entrada da usina e na prefeitura de São Miguel do Iguaçu. O momento crítico foi a invasão do Refúgio Biológico da Bela Vista (reserva natural pertencente à Itaipu e que possui cerca de 700 hectares), que acabou detonando uma mobilização nacional. Um projeto sugerindo desmembramento de uma área do Parque Nacional do Iguaçu chegou a ser levado ao presidente da República.
Já em 1996, a diretoria da hidrelétrica decidiu então contratar um novo antropólogo para encontrar um território na região tradicional da etnia. Uma fazenda com 1.774 ha foi encontrada e adquirida pela Itaipu. A área foi cedida à União Federal e repassada aos índios, que aprovaram o local, que hoje é conhecido como Tekaha-Anãetete. (E.D.)





