Marcos Zanatta
De Maringá
A Polícia Civil de Maringá abriu inquérito para investigar o ‘‘Grupo Libertação de Vidas’’, uma ‘‘comunidade’’ fundada por um casal de empresários que é acusada de cárcere privado, aliciamento de menores e trabalho escravo. As denúncias, segundo o delegado Paulo Machado, da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, começaram há cerca de um ano com parentes de seguidores do grupo, e por último até os próprios adeptos da ‘‘comunidade’’ procuraram a polícia. ‘‘São cerca de 30 pessoas que moram em dois apartamentos no centro da cidade’’, revela Machado.
Os parentes, informou o delegado, alegam que os seguidores são obrigados a abandonar a família, passar tudo que tem para os líderes da comunidade e trabalhar de graça na empresa, uma loja de chaves. Na comunidade, as roupas são comuns, todos rezam muito e segundo parentes passam fome e não podem sair. ‘‘Depois dos parentes foram os próprios seguidores da comunidade que vieram reclamar’’, diz Machado. Os adeptos procuraram a polícia dizendo que foram agredidos por parentes de seguidores.
A Justiça já começou a ouvir os envolvidos, começando pela denúncia de aliciamento de menores. A juíza-substituta da Vara da Infância e Juventude, Simone Borba, não quis falar sobre o assunto, mas disse à polícia e aos dirigentes da seita que não encontrou irregularidades com os menores. ‘‘Vamos prosseguir as investigações das demais denúncias’’, disse Machado à Folha.
A empresária Edilamar Lopes Morimoto, que dirige a loja e a ‘‘comunidade’’ com o marido, Jonhson, garante que nenhuma das denúncias procede. ‘‘Os nossos seguidores vem para cá por vontade própria, boa parte decepcionada com a vida familiar’’, justifica. Ela argumenta que todos os ‘‘meninos’’ – seriam sete – são sócios da empresa. Por isso, não são registrados.
As ‘‘meninas’’, exatamente sete, trabalham com serviços domésticos. Edilamar diz que por muito tempo ‘‘trabalhou’’ para igrejas evangélicas, sem receber nada. Quando decidiu fundar uma comunidade, ‘‘que não é uma igreja’’, passou a sofrer denúncias ‘‘infundadas’’.
Hoje todos os adeptos do grupo a chamam de mãe. ‘‘Eles que começaram a me chamar de mãe e eu gosto.’’ A empresária concorda que as roupas são de uso comunitário, mas garante que nenhum outro argumento levado à polícia é verdadeiro.
‘‘A promotora viu as crianças e comprovou que não existe maltratos’’, diz, lembrando que a comunidade segue os ensinamentos da Bíblia, ‘‘que permite a surra corretiva nas crianças’’. No total 19 pessoas moram na comunidade, mas um número pouco maior participa de reuniões. ‘‘Quem quer sair não tem impedimento algum’’, garante. Edilamar calcula que a comunidade tem um gasto em torno de R$ 8 mil por mês.O Grupo Libertação de Vidas, mantido por casal, é acusado de cárcere privado, aliciamento de menores e trabalho escravo
Marcos Negrini‘‘DENÚNCIAS INFUNDADAS’’A empresária Edilamar Morimoto, que formou a comunidade, é chamada de mãe por todos os seguidores