Problemas com o mato alto, insetos e animais peçonhentos não são novidades para os moradores do Parque Bom Retiro (Região Central de Londrina), que faz margem ao córrego Bom Retiro. Segundo os moradores, a última limpeza foi feita em fevereiro.
''O maior problema é que o mato invadiu a entrada da ponte que dá passagem ao outro lado do bairro. Crianças e mães com bebês fazem esse trajeto diariamente para irem à escola e à creche'', conta a moradora Ortalina Maria de Jesus. Como o bairro acaba num fundo de vale, os moradores que não usam a ponte precisam andar cerca de um quilômetro para chegar ao mesmo ponto.
Além do mato alto, segundo a moradora, várias cobras, inclusive venenosas, já foram vistas no local. ''Está cheio de bicho aqui. Já mataram uma jararaca'', disse. De acordo com outra moradora, Elenir de Freitas, o mato possibilita ainda que pessoas mal intencionadas se escondam. ''Dias atrás teve um tiroteio e nem a polícia conseguiu pegar os bandidos, que sumiram neste mato. Sem contar que alguém pode fazer qualquer coisa com as crianças. Não temos mais sossego'', desabafou.
Conforme os moradores, há tempos, pedidos de limpeza e roçagem vem sendo feitos junto à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). ''Eles alegam que têm vários pedidos na frente e não podem nos atender. Inclusive, semana passada, um pessoal estava fazendo roçagem na esquina da avenida e pedimos para que cortassem o mato daqui. Eles simplesmente responderam que não eram pagos para limpar essa área'', revelou Elenir.
De acordo com o coordenador do departamento de limpeza pública da CMTU, Alexandre Zuliani, a roçagem deverá ser feita na semana que vem. ''A última vez que a equipe esteve no local, equipamentos foram furtados. O contrato não cobre aquela área, mas mesmo assim o pessoal fazia a limpeza. Para voltarem, os funcionários solicitaram acompanhamento da Polícia Militar. Já estamos providenciando apoio da PM.''
Zuliani acrescenta: ''Infelizmente, estamos enfrentando dificuldades com o contrato atual, feito em caráter emergencial, que não cobre todas as regiões de Londrina. A atual empresa nos auxilia fazendo mais do que prevê o contrato, mas ainda não é suficiente'', defendeu. Ainda conforme o coordenador, um novo contrato de licitação depende de uma plano de saneamento, cuja cópia a CMTU recebeu ontem. ''Dessa forma, poderá ser aberto um edital com todas as reformulações para assim, aumentarmos a abrangência do serviço feito atualmente'', observou.
Não bastasse o problema do mato alto, a ponte feita há cerca de três anos, depois que uma garota morreu afogada no local, está em péssimo estado. ''Fizeram essa ponte de madeira, que desde então também não recebeu nenhuma manutenção. Agora, além do mato alto e dos bichos, quem passa pela ponte, corre o risco de cair a qualquer momento'', argumentou. A reportagem esteve no local e constatou muitas tábuas soltas e outras faltando na ponte. A informação de que a Secretaria de Obras foi a responsável pela construção não foi confirmada.

mockup