Quatro dias após a assinatura do contrato de concessão da Usina Hidrelétrica (UHE) Mauá em Brasília, membros da comunidade de Lajeado Bonito, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), reuniram-se anteontem para discutir o projeto que deve afetar dezenas de famílias da região. Promovido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o encontro também teve participação de ambientalistas, pesquisadores da Bacia do Rio Tibagi e representantes da Assembléia Legislativa.
Segundo a agente da CPT em Londrina, Isabel Cristina Diniz, o evento não foi um protesto contra a UHE. ''A comunidade reuniu-se em busca de esclarecimentos sobre os procedimentos que envolvem o processo de construção da usina'', resumiu. Embora a agente tenha evitado falar em ''mobilização contrária'' ao empreendimento, moradores e pequenos proprietários de terras da região vêm lutando para barrar a obra desde que a mesma foi anunciada.
De acordo com o agricultor Deolindo Pereira da Costa, que já participou de vários eventos de discussão sobre a usina, a construção da UHE Mauá no Rio Tibagi, entre Ortigueira e Telêmaco Borba, vai destruir aproximadamente 10 mil alqueires de terra e ''matar'' outros quatro rios da região: Barra Grande, Imbaú, Lajeadinho e Arroio Grande.
Presente ao encontro, o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) afirmou que está tentando buscar uma solução para os moradores que poderão ser desalojados com a construção da barragem. Representado por seu assessor, o deputado estadual Péricles de Mello, também petista, sinalizou simpatia com a causa dos cidadãos contrários à usina.
O projeto de construção da hidrelétrica já recebeu licença prévia do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), mas ainda não possui licença de instalação. Uma liminar obtida pelo Ministério Público Federal (MP) de Londrina também impede a instalação da UHE, prevista para gerar 361 megawatts e cujo custo pode chegar a R$ 1 bilhão.
Ignorando as pendências judiciais, na semana passada o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) assinaram o contrato de concessão da usina ao consórcio formado por Copel e Eletrosul, que pretende começar a operá-la até 2011.

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