Comunidade discute delinquência juvenil em Campo Mourão
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quarta-feira, 03 de outubro de 2001
Sid Sauer<br> De Campo Mourão 
Apenas este ano, 142 menores infratores foram detidos pela Polícia Militar de Campo Mourão, vários deles por mais de uma vez. No caso mais conhecido, o menor E.C.P., de 17 anos, foi apreendido cinco vezes pela PM. Na última vez, há 13 dias, ele se envolveu em um assalto à mão armada que terminou com a morte de um comerciante por causa de R$ 6.
As informações foram apresentadas anteontem à noite pelo comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar, major Nélson João Casarolli, durante debate sobre o aumento da criminalidade juvenil na cidade. O evento, convocado pelo prefeito Tauillo Tezelli (PPS), reuniu cerca de 80 representantes de entidades governamentais e associações de moradores.
''Esses menores precisam ser identificados e ocupados'', defendeu Casarolli. Ele admitiu que para cada menor apreendido pela PM, deve existir pelo menos mais um que não foi detido. O juiz da Vara de Menores, James Hamilton de Oliveira Macedo, disse que a falta de uma Defensoria Pública contribui para a impunidade do menor infrator.
''Muitas vezes acabam os 45 dias de apreensão do menor sem que um único advogado aceite defendê-lo'', explicou Macedo. Quarenta e cinco dias é o prazo máximo que um menor infrator pode ficar detido no Serviço de Atendimento Social (SAS) de Campo Mourão. Macedo disse que sem a estruturação da família não adianta dar bolsas mensais de R$ 50,00 aos menores
Segundo a prefeitura, Campo Mourão tem hoje 500 menores em situação de risco social, sendo que 184 deles devem ser beneficiados ainda este ano com uma bolsa mensal de R$ 40,00 do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Atualmente, o programa atende 150 menores. O prefeito Tauillo Tezelli lançou um desafio para o atendimento dos outros 300 adolescentes.
''Será que nós não conseguimos isso com a comunidade?'', questionou. A promotora Fernanda Nagl Garcez, no entanto, disse que os menores só deixarão as ruas se tiverem uma mínima perspectiva de mudar de vida. Já o promotor Lafaieti Barbosa Tourinho defendeu uma atuação da polícia para prender os receptadores adultos que usam os menores infratores.


