A comunidade do Jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina, pode ser considerada um exemplo no combate ao mosquito transmissor da dengue. O local não é considerado de alto risco para a doença e, se depender do trabalho voluntário que começa a tomar corpo para combater o vírus na cidade, o bairro poderá passar tranquilo pelos ataques de verão do Aedes aegypti.
Ontem, cerca de 50 pessoas, distribuídas entre voluntários da Organização Não Governamental (ONG) Rede Unida, profissionais das empresas Consórcio União e Marajó veículos, e gente que se prontificou a participar da luta contra o mosquito, percorreu as ruas e quadras da área, alertando e conscientizando moradores para as maneiras de evitar a epidemia. A população, por sua vez, parece começar realmente a se precaver da doença na cidade.
Ao menos parte da comunidade mostra já ter boa noção do perigo que enfrenta. As dezenas de vasos de plantas espalhado pelos jardins e pelas varandas da aposentada Celina Vitor da Silva, 75 anos, estão sem o pratinho de contenção de líquido. Ao molhar flores e samambaias, dona Celina cuida para que a água não absorvida pela terra do vaso consiga escorrer para a grama. ''Um dos meus bisnetos foi para o hospital, e tem alguns sintomas parecidos com dengue'', disse, preocupada, aos voluntários que lhe entregaram um folheto sobre a doença. ''Uma filha me explicou direitinho como fazer para evitar o mosquito, e eu estou tomando as precauções''.
Do outro lado da rua, Elidia Aparecida Donato também está angustiada. ''Até aonde isso vai parar, meu Deus! Essa cidade foi invadida pela dengue'', comentou com os agentes voluntários de Saúde. No quintal, os baldes já estavam todos devidamente virados com a boca para baixo. A preocupação maior de Elidia é com os três filhos pequenos. ''Estou tomando muito cuidado, não deixo nada que possa acumular água parada no jardim'', ressaltou.
O voluntariado pedia para que os moradores prestassem atenção até mesmo às tampinhas de garrafa e telhados. Afinal, folhas ou pedras podem entupir calhas e empoçar a água da chuva. A maior parte dos voluntários da Rede Unida de Desenvolvimento dos Recursos Humanos para a Saúde que acordou cedo no domingo para orientar os londrinenses já trabalha com a saúde, seja em instituições, secretarias municipais ou como lideranças comunitárias.
A ONG atua há 20 anos, e decidiu entrar na luta local contra a dengue nas reuniões desrtinadas à organização de um Congresso Nacional, marcado para maio. ''Na Saúde, a dengue é uma preocupação de todos, e acreditamos que se não nos mobilizarmos, a doença vai tomar conta'', lembrou o médico Marcio Almeida, professor da UEL e voluntário da Rede Unida.

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