Comunidade constrói companhia da PM
Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A região norte de Foz do Iguaçu vai ganhar, até o final de abril, a primeira Companhia para a Polícia Militar construída no Paraná por meio de um mutirão comunitário. A região abrange 49 bairros, com cerca de 52 mil habitantes.
O Conselho de Segurança da Zona Norte, criado em novembro de 1996, já montou a sede de um destacamento policial, chamado Pelotão Norte, com 150 metros quadrados, e agora está terminando a construção uma nova área de serviço com mais 230 metros quadrados. É praticamente uma Companhia da Polícia Militar. A diferença é que o batalhão de Foz só entra no projeto com os 26 soldados, que já trabalham com a gente, enquanto a comunidade banca o resto do projeto, explica Dorival Souza Mendes Oliveira, presidente do conselho, lembrando ainda que a terceira fase de obras deve começar em maio, onde mais 250 metros quadrados serão construídos, totalizando 630 metros quadrados.
Segundo o comando da Polícia Militar do Estado, o trabalho é inédito no Paraná. Não existe nenhum projeto deste porte. Sem dúvida é uma ótima iniciativa por parte dos moradores, comentou o comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar de Foz, tenente-coronel Renato Ribeiro Perez, confirmando que o Comando da Polícia do Interior (CPI), sediado em Curitiba, também desconhece a existência de uma iniciativa comunitária que tenha se preocupado tanto com a segurança dos bairros.
O novo prédio vai ter uma sala para sediar as reuniões do comando, depósito de armas, refeitório, área para trabalho dos plantonistas, estacionamento para 10 veículos (seis carros e quatro motos) e uma sala para receber visitantes. O custo previsto é de R$ 50 mil.
O governo do Estado, que deveria executar projetos como esse, tem participação na entidade, mas a ajuda se resume na liberação de 20% do combustível para as viaturas policiais, cerca de R$ 30 mil dos mais de R$ 150 mil gastos em gasolina e diesel nos últimos três anos. A maioria dos custos com a manutenção dos veículos e a construção da nova central é paga pelos cidadãos (prefeitura entra com 10%).
O gasto anual médio de cada morador para manter o conselho em atividade é de apenas R$ 0,93 centavos. Muitos porém, nem chegam a gastar isso. Boa parte da população, incluindo os empresários dos bairros, ajuda a entidade como pode, seja emprestando máquinas, cedendo material para construção, fazendo doações ou trabalhando no serviço braçal da obra (veja reportagem nesta página). A empreita acontece todos os sábados, ou nos dias de folga dos participantes. Temos um senhor de 70 anos que ajuda os pedreiros voluntários fazendo comida para eles, para que não precisem voltar para a casa, contou Oliveira.
A idéia de criar o conselho começou em outubro de 1996, quando foram registrados 30 furtos de veículos na região norte (hoje esse número caiu para a média de quatro furtos/mês). Na época, o comando da Polícia Militar possuía 20 viaturas, mas somente quatro estavam rodando em Foz, o que tornava impossível a presença de uma delas naqueles bairros durante 24 horas.
Os moradores se organizaram para que, juntos, pudessem consertar alguns carros da polícia. Os mecânicos do bairro, incluindo Oliveira, arrumaram dois veículos e pediram uma autorização especial para que as viaturas fossem de uso exclusivo da zona norte. O passo seguinte foi a construção do Pelotão Norte.
Para manter toda a estrutura, o conselho gasta R$ 7,3 mil por mês, um valor irrisório que garante a segurança de um quinto da população de Foz do Iguaçu, comentou Oliveira, sugerindo que a idéia seja adotada por outras cidades. Com o trabalho dos policiais do pelotão, a criminalidade caiu em média 75% em apenas três anos (veja outros índices no quadro ao lado).Iniciativa de moradores da zona norte de Foz do Iguaçu conseguiu reduzir os índices de criminalidade em 73% no período de três anos
Fotos Christian RizziBOM EXEMPLOO Pelotão Norte já está em funcionamento; as obras da companhia da Polícia Militar estão em fase final, totalizando 380 metros quadrados de áreaDorival Souza Mendes Oliveira, presidente do Conselho Comunitário





