O anúncio da Prefeitura de Londrina de que pretende comercializar 20 vielas localizadas no Jardim Shangri-lá (Zona Oeste) já despertou o interesse de moradores da região. A professora universitária Débora Muniz, que reside na Rua Emílio de Menezes e é vizinha de uma viela, é categórica ao afirmar que vai comprar o espaço assim que possível, já que o espaço faz parte de sua vida.
Os espaços que foram criados para ligar uma rua à outra com mais rapidez hoje são utilizadas por pessoas para o consumo de drogas, a prática de sexo ou mesmo como rota de fuga de ladrões e assaltantes. Porém, antigamente, o espaço já foi um lugar feito para as estripulias de crianças. São momentos assim que Débora guarda. ''Pra mim a viela foi uma época de brincadeira, onde a gente pulava o muro, mas gradativamente ela foi ficando perigosa.'' A reportagem conversou com outros moradores da região, que aprovaram a inciativa do Executivo.
Morando há quase 50 anos na mesma casa, Débora já foi advogada, entre outras atividades que exerceu. Atualmente, além de dar aulas, comercializa doces e tem a porta de seu negócio voltada para a viela. Daí o interesse em adquirir a área.
Débora acredita que por hoje se tratar de algo que denota muitos gastos à prefeitura e ainda gera insegurança aos vizinhos, a comercialização dos pontos é uma boa saída. ''As pessoas vão ter que circular por um caminho mais longo, mas pelo que tem ocorrido é uma boa saída'', afirma a professora, informando que de quatro em quatro meses um jardineiro é chamado para fazer o corte de mato que cresce ali.
O funcionário público Luiz Shiroma adquiriu duas partes de uma viela localizada na Rua José de Alencar, em 2008, próximo à escola de sua mulher. Ele conta que o investimento valeu a pena, já que melhorou a questão da segurança. ''Era um lugar complicado que gerava muitos problemas e ter adquirido parte dela resolveu a questão'', disse ele, que não deu detalhes sobre o negócio.
Segundo o assessor da Ordem Urbana e Rural do Município, Wanderley Batista, a proposta de comercializar as 20 áreas visa justamente a melhoria da segurança dos moradores. ''Como são terrenos muito estreitos para novas edificações, vamos dar oportunidade para que os vizinhos possam comprar uma parte do espaço e aumentar sua casa'', afirmou. O espaço físico de cada viela será dividido em quatro partes iguais, disponíveis para aquisição de cada um dos moradores das residências contíguas.
Batista pontuou que os lotes só podem ser negociados com proprietários de residências imediatamente limítrofes às vielas. Os interessados podem comparecer ao Departamento de Gestão de Patrimônio (DGP). Após a solicitação, técnicos da prefeitura realizam uma avaliação no local, para fixar o valor do lote. ''Os preços podem variar, de acordo com a localização e outras variantes, como qualquer imóvel'', lembrou.

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