Comunidade aprende a cuidar da água
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Enxergar-se como parte do meio ambiente e agente de transformação. Essa é a idéia que a Sanepar transmitiu aos moradores dos jardins Franciscato e Novo Perobal, na Zona Sul de Londrina, numa palestra, realizada quarta-feira, na sede da Associação das Mulheres Batalhadoras. O encontro, que reuniu cerca de 50 pessoas, integra a agenda de celebrações do Mês da Mulher e do Dia Mundial da Água, comemorado amanhã.
O aumento dos casos de Hepatite A foi o motivo do início dessa parceria. Segundo a presidente da ONG, Rosalina Batista, é muito comum encontrar crianças com verminoses e doenças de pele na região. ''Nossos córregos e minas estão contaminados pelo lixo e esgoto produzidos aqui mesmo. É preciso que todos entendam: qualquer agressão à natureza retorna para a gente'', afirmou a líder comunitária.
Segundo Andrea Fontes, gestora de educação socioambiental e coordenadora da palestra, os problemas de saneamento dos bairros da região resultam da má utilização da rede de esgoto (despejo de paus, pedras, plásticos, tecidos, etc) e da resistência de alguns moradores em providenciar a ligação. Conforme a Sanepar, na área dos Jardins Perobal, Novo Perobal, Franciscato, Itapuã e Vila Feliz existem 1.448 ligações de água e esgoto, 178 endereços que não apresentam condições técnicas e 31 que recusam a adesão (2,1% do total).
Alguns citam - erroneamente - o baixo poder aquisitivo da família como justificativa. ''Para estes casos, oferecemos o benefício da tarifa social, onde o cliente paga R$ 7,50 pelo serviço de água e esgoto'', alega a assessoria de imprensa da Sanepar. Outros vivem irregularmente em fundos de vale, ou seja, áreas de preservação ambiental onde não é permitida a habitação. Isto significa que, enquanto estiverem nesta condição, não terão acesso ao esgoto. Além disso, existem criações de porcos e cavalos, na frente das casas, eliminando fezes e urina pelas ruas.
''A poluição dos mananciais e o reflexo na saúde da população são consequências da falta de educação ambiental. Esse encontro é o primeiro passo para reverter a situação. Futuramente, queremos promover visitas da comunidade às estações de tratamento do esgoto e água'', adiantou a gestora, que iniciou trabalho semelhante com os moradores do Conjunto Aquiles Sthenghel (Zona Norte).
Para melhorar o saneamento nesses bairros, as autoridades necessitarão - obrigatoriamente - resolver questões sociais como: desemprego, baixa renda, déficit educacional, drogas e criminalidade, ou seja, problemas que afetam quase toda a cidade.
Segundo Elisângela Alves Martins Ferreira, agente comunitária de saúde, é preciso ter muito cuidado para denunciar e cobrar mudanças de alguns moradores. Em seu dia-a-dia ela encontra com frequência residências semi-domiciliadas por usuários de drogas ou álcool, menosprezo com a higiene e falta de limpeza das casas e quintais. ''Procuro dialogar bastante com a pessoa e mostrar onde está o problema''.


