Comunidade ajuda índia da tribo xetá
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de setembro de 2001
Vânia Moreira <br> De Umuarama 
A comunidade de Umuarama está fazendo uma campanha para ajudar a índia xetá Maria Rosa Brasil Tiguá, 50 anos. Sem poder trabalhar por causa de um problema nas mãos, Tiguá estava passando fome. Estava também sem água e sem energia elétrica, cortadas por falta de pagamento. Esta semana, vizinhos e outros moradores que não querem se identificar pagaram contas de água e luz e doaram uma cesta básica para a índia, que mora sozinha na Rua Ceará, na Zona 2.
Tiguá é um dos últimos sobreviventes da tribo xetá que ocupava a região de Umuarama e foi dizimada durante o processo de colonização, nos anos 50 e 60. É a única que ainda mora na região e sobrevive com dificuldade. Criada por brancos em Douradina (85 quilômetros ao norte de Umuarama, veio para Umuarama há 4 anos porque não conseguia trabalho na pequena cidade. Tiguá tem uma filha, Indianara, de 18 anos, e um neto. A filha se casou ano passado. Em Umuarama, Tiguá só conseguiu trabalho como empregada doméstica, mas teve que parar devido a uma alergia nas mãos, causadas por produtos de limpeza.
O aluguel da casa dela é pago pela prefeitura. A comunidade só descobriu que ela estava passando necessidade quando um vizinho foi visitá-la e a encontrou alimentando-se apenas com água e farinha de mandioca. As três contas de luz e três de água que estavam atrasadas foram pagas pelo município e por voluntários que não querem aparecer.
Como os outros remanescentes e descendentes da tribo, Tiguá espera a demarcação de terras para os xetás, prometida pelo governo.


