Comunidade ajuda a manter Distrito Policial
Lúcio Horta
De Londrina
A falta de gente e de recursos financeiros tem produzido iniciativas isoladas para amenizar a difícil situação da segurança pública de Londrina. No 5º Distrito Policial, o delegado Jorge Barbosa mobilizou a comunidade para conseguir algumas melhorias. A mais recente é a pintura interna do prédio. Uma empresa doou as tintas, um detento ajudou e o delegado pagou do próprio bolso os serviços de outro pintor. Resultado: as paredes escuras e descascadas foram substituídas pela tinta a óleo, da cor branca. Com o serviço praticamente concluído, o cheiro de tinta fresca ainda prevalece no local.
A comunidade tem interesse em ajudar. E tem que ser assim senão não se faz nada, diz Barbosa, que está à frente do distrito há seis meses. Mas não foi só a tinta: o sofá que está na sala do delegado foi doação da comunidade. E o velho sistema telefônico, com ramais movidos a chave, também foi substituído por uma central mais moderna, fruto de doação. Agora só falta o distrito conseguir outras linhas para se somar à única que existe atualmente. Temos os funcionários, os presos, famílias de presos, a comunidade, todo mundo ligando para cá. O ideal seria mais linhas, informa.
O 5º DP atende hoje uma população estimada, segundo Jorge Barbosa, em 120 mil pessoas. Todo o serviço da zona norte, incluindo os problemas encontrados no Departamento de Trânsito (Detran), localizado na Avenida Dez de Dezembro, vai para lá. Sem contar os distritos de Warta e Heimtal. A média mensal, afirma o delegado, é de 400 a 500 inquéritos investigados na delegacia a cada mês. Tudo isso para um delegado, um plantonista diário, um investigador de rua, dois escrivães e dois funcionários de serviço burocrático. Sem esquecer o Gol, único veículo do distrito, que ganha 15 litros de álcool por dia. E o computador, que o delegado trouxe de casa.
Estou acostumado com essa situação, mas é mesmo trabalhoso. Uma pena que às vezes não é possível dar aquela atenção que a gente gostaria, diz. Para ele, o ideal seria no mínimo três equipes só para investigar. Temos homicídios insolúveis, denúncias de tráfico e não sobra tempo. E é humanamente impossível levar tudo no prazo certo. Só para réu preso, que é prioridade.
Além da estrutura, o distrito vive com outro problema também comum e constantemente divulgado pela imprensa de outros distritos: a superlotação carcerária. Até ontem de manhã, eram 43 detentos e outros quatro que chegariam à tarde. A capacidade é para 24 vagas.
Mesmo com a capacidade esgotada, o delegado diz que procura deixar a vida do preso o menos monótona possível. Segunda-feira, por exemplo, das 13 às 17 horas, tem visita; na primeira segunda do mês, a visita vai das 9 às 17; na terça-feira de manhã tem corredor; à tarde, culto ecumênico; e na quinta, das 13 às 17, pátio de sol. Dependendo do dia e da situação, mesmo que fora de hora, também é permitido uma conversa rápida com algum parente.
Procuro ter uma convivência boa e não tenho nada a reclamar. O problema é que o preso consome quase todo o nosso tempo, revela o delegado. A sorte é que o grupo não é dos mais violentos, a maioria por tráfico e pequenos furtos. Alguns são por roubo ou homicídio e dois estão presos por não-pagamento de pensão alimentícia. Os mais violentos a gente manda para a Prisão Provisória. Assim dá para manter a situação administrável.Área de abrangência do 5º DP é de cerca de 120 mil pessoas
Paulo WolfgangRAP DA CARCERAGEMIntegrantes do grupo Stilo de Rua, presos no 5º DP: acusação de furto adiou sonho de gravar CD e shows, agora, só na cadeiaPaulo WolfgangMárcio de Assis comenta: Duro é ficar longe da famíliaPaulo WolfgangCela lotada no 5º DP: problema comum aos demais distritosPaulo WolfgangO delegado Jorge Barbosa: iniciativa





