Londrina - Por interesse acadêmico, Patricia Mendes Pereira, docente de Clínica Médica de Pequenos de Animais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), coordenou em 2010, um Censo Animal em dois bairros da cidade: Jardim Leonor e nas proximidades do Jardim Itamaraty, na zona oeste. "Com a comissão (criada pela Prefeitura de Londrina), surgiu o interesse para dar continuidade e fizemos mais três. A ideia era fazer seis bairros no total, mas como as questões eram aplicadas por alunos, o trabalho foi interrompido para ser continuado em fevereiro do ano que vem", explica.
O questionário é completo e envolve todo tipo de animal, domiciliado ou semidomiciliado. "Abordamos questões culturais, desde o sentimento pelo animal, o objetivo de tê-lo e se era vacinado", afirma.
Além disso, o que chamou a atenção da professora é quantidade de animais. "A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que em países em desenvolvimento se tenha um animal a cada sete humanos. Nesses dois bairros, vimos que há um animal para cada três. Isso significa que estamos bem acima do preconizado", completa. Outro ponto relevante apontado por ela é que a maioria das pessoas tem muita dó de animais de rua e acha que a obrigação de cuidar é da prefeitura.
Outro fato constatado pela professora é a questão do cão comunitário. "A gente observa que a grande maioria dos cães que estão nas ruas tem um guardião. O que a gente vê na rua geralmente cães gordinhos, que não são maltratados. O animal que está completamente abandonado tem um tempo de sobrevida muito curto, cerca de um ano por causa da desnutrição ou porque se envolve em brigas ou acidentes", explica.
No Cemitério Jardim da Saudade, na zona norte, o pedreiro autônomo Luiz Carlos Mariano, de 48 anos, é considerado o "guardião" dos cachorros. "Trabalho há muitos anos construindo túmulos e sempre teve cachorro por aqui. Eu fico com pena e confesso que acabo dando água ou um restinho de comida, mas eu sei que não é o certo. A solução seria arrumar um lugar para eles ficarem acomodados. Como ainda não tem, acho que eles procuram os cemitérios porque é onde se sentem mais seguros", afirma.
A convivência com os animais é tamanha, que mesmo trabalhando, os cães ficam ao seu lado, esperando um afago. "Eles acabam esperando no portão porque sabem a hora que chego. Mas, apesar de todo o transtorno, tem algumas histórias interessantes de adoção. Muitos funcionários ou visitantes acabam se comovendo com os bichinhos e os levam para casa. Só não levo essa ‘turma’ comigo porque já tenho dois que recolhi na rua", conta. (M.O.)

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