Luciana Pombo
De Curitiba
O delegado Rogério Antonio Haisi assume hoje como titular da Delegacia de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba). Ele ficará no lugar da delegada Delair Manfron, afastada do cargo por telefone na última quarta-feira. Delair foi citada pelo desempregado Edson Farias, que confessou o assassinato do empresário Miguel Siqueira Donha – diretor da Corretora Banestado de Seguros e presidente do diretório do PPS de Almirante Tamandaré –, como sendo uma das garantias de que receberia R$ 300,00 e um emprego na Prefeitura de Almirante Tamandaré se fizesse o trabalho de dar ‘‘um susto’’ no empresário. Ele disse que o guardião que o contratou, Antonio Martins Vidal, conhecido como ‘‘Tico’’, era amigo da delegada e do funcionário público Azemir de Barros, irmão do prefeito.
A delegada nega que seja amiga de Tico e diz que só o viu por duas vezes. Na primeira vez, ele teria aparecido com seu sobrinho (Azemir de Barros) para dar boas vindas. Na segunda oportunidade, ele teria pedido para que ela o ajudasse a tirar porte de arma. Como Tico tinha passagem na polícia por homicídio, ela negou o porte de arma. ‘‘Pelo que ele disse para a imprensa, só posso concluir que há um esquema político para me afastar de Almirante Tamandar钒, desabafou ela, em recente entrevista à Folha, quando relatou que tem trabalhado firmemente no combate ao tráfico de drogas na região. ‘‘Eu sofri muito para chegar até aqui. Não aceito que um vagabundo qualquer venha tentar denegrir minha imagem. Não pretendo sair de Almirante Tamandaré, a não ser que me arranquem’’, complementou.
Procurada pela reportagem da Folha, Delair Manfron não quis dar entrevistas. Ela disse apenas que não sabe o motivo de seu afastamento. Por enquanto, a delegada ficará à disposição da Polícia Civil na Divisão da Capital. Nos dois meses que ficou na delegacia, ela instaurou 110 inquéritos policiais. A maioria por homicídio e latrocínio que envolvem traficantes das regiões de Cachoeira e Jardim Graziele.
Uma pessoa ligada ao PPS do município disse ontem que os motivos do afastamento da delegada estariam relacionados ao trabalho dela no combate ao tráfico de drogas. A delegada teria levantado que o assassinato de Donha teria sido praticado pela principal quadrilha que atua no tráfico de drogas de Almirante Tamandaré. ‘‘Acho pouco provável que Donha estivesse envolvido com o tráfico também. Acho que a morte foi política, mas não descarto esta hipótese. A única hipótese que descarto é a do latrocínio’’, informou o advogado Leonel Siqueira, secretário do diretório municipal do PPS.
O delegado Rogério Antonio Haisi disse que não investigará este caso. ‘‘Não tenho a pretensão de investigar o caso Donha, porque já há a investigação na Delegacia de Homicídios de Curitiba’’, declarou. Haisi afirmou ainda que não sabe os motivos do afastamento da delegada Delair Manfron. O delegado atuava no 4º Distrito Policial de Curitiba e já passou pela Delegacia do Meio Ambiente e pelo Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera).
A reportagem da Folha tentou entrar em contato com Antonio Martins Vidal, o Tico, mas foi informada pelo seu advogado Antônio Figueiredo Basto, que ele só falará em juízo. ‘‘Deixa a polícia investigar’’, declarou Basto.

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