Comunicação acontece a qualquer momento
Para a veterinária Débora Helena Vitorino, os cães falam sim por meio de gestos. ''Mais comum é abanar o rabo de felicidade, mas quando o dono está triste, o cão percebe e vem quietinho, olhando, tentando entender o que há de errado.''
Se a fome bate e o cachorro quer comida, ele costuma abanar o rabo e rodear o dono até receber o alimento. De manhã, ele senta e espera para receber carinho e se estiver chateado, simplesmente não dá atenção. ''Tudo é percebido no olhar, no latido.'' Mas só reconhece a sensibilidade do cão quem convive diretamente com ele.
Segundo ela, a comunicação acontece a toda hora, basta o dono tratar o cão com carinho e respeito. ''Mas sem tratar como gente porque são bichos de estimação e não parentes.''
Ainda de acordo com a veterinária, os cachorros esperam pouca coisa dos donos: ''Primeiro querem comida e água e depois carinho e dão amor gratuito em retorno. Até ao apanhar voltam abanando o rabo por comida e carinho''.
Para Débora, a interação entre cão e dono é tão intensa que pode ser terapêutica. ''Um cãozinho auxilia no tratamento de crianças hiperativas, diminuindo a ansiedade, além de ensinar responsabilidade e troca de carinho por meio da amizade. Já nos idosos, o cuidado com o bicho de estimação melhora a saúde mental e física.''
Em muitos momentos os donos não sabem diferenciar se a necessidade é dele ou do cão. ''Nesse caso, o dono acaba transmitindo um pouco da sua personalidade para o cachorro, por isso é preciso dosar o cuidado e a responsabilidade, e a vontade de fazer do cão um ente da família'', reitera. ''Muitas vezes, a pessoa faz ao animal o que não faria a um humano e isso reflete o sentimento do dono e não do cão, que costuma expressar apenas o básico como dor, fome, tristeza e alegria.'' (M.G.)





