Quem nunca se questionou sobre o que estava escrito numa receita médica? Muitas vezes, é praticamente uma ''missão impossível'' adivinhar qual o medicamento prescrito. Afinal, a letra da maioria dos médicos é difícil de entender e isso não é novidade. Em diversas situações, as receitas são ilegíveis, tanto para os pacientes quanto para os farmacêuticos. O problema é quando isso atrapalha o tratamento. Saúde não é brincadeira e qualquer descuido pode ser fatal.
Farmacêutico há décadas, Luiz Lamberti afirma que inúmeras vezes teve dificuldade de entender a letra do médico na receita. ''Quando não entendo, entro em contato com o médico para verificar o nome do remédio. Ligo no consultório, hospital, celular, onde for necessário'', conta o farmacêutico, considerando que isso dificulta seu trabalho. Ele ressalta que muitos medicamentos têm nomes parecidos. Por isso, é preciso atenção. A boa notícia, segundo Lamberti, é que situações assim estão se tornando cada vez mais raras depois que os médicos passaram a usar o computador para redigir as receitas.
É o que faz o pediatra e Delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM), Álvaro Luiz de Oliveira. Há sete anos ele informatizou seu consultório e passou a digitar as receitas. Segundo ele, muitos consultórios já estão informatizados.
Oliveira conta que quando suas receitas eram manuscritas, era comum alguém da farmácia ligar para esclarecer o nome do medicamento receitado.
Sobre os motivos de tantos médicos terem uma letra difícil de ler, o pediatra explica que, desde a faculdade, o estudante de medicina precisa absorver muita coisa rapidamente. Por isso, precisa escrever com agilidade, para não perder nenhuma informação. Para ele, esse é um dos fatores que contribuem para que esses profissionais fiquem com a letra ilegível. Oliveira admite ter letra feia, mas sabe da importância do médico escrever de forma clara. ''A letra ilegível pode trazer riscos ao paciente. Por isso, o médico deve se conscientizar e tentar melhor'', afirma. De acordo com o Código de Ética Médica, fica vedado ao médico receitar ou atestar de forma secreta ou ilegível, assim como assinar em branco folhas de receituários, laudos, atestados ou quaisquer outros documentos médicos. Nesse sentido, o Conselho Federal de Medicina e o CRM, realizam atividades educacionais para melhorar a letra do médico.
Mas nem todos os profissionais precisam disso. Como toda regra, essa também tem exceção. É o caso do gastroenterologista Luiz Carlos Oliveira Adas, um médico que tem uma letra fácil de ler, e bonita. Tão bonita, que no final de 2007 ele ganhou o troféu ''Eu fiz Caligrafia'', do Hospital Evangélico. Adas conta que realmente fez caligrafia. ''Sou filho de advogado e professora. Meus pais passavam exercícios de caligrafia para que minha letra ficasse bonita'', lembra.
Ele nem imaginava como aqueles exercícios lhe seriam úteis no futuro. ''Os pacientes elogiam minha letra'', revela. Na opinião dele, é muito importante que o médico escreva de forma legível. Afinal, a letra do médico, além de precisar ser entendida na receita, também necessita ser compreendida no prontuário, que traz a história clínica do paciente. ''Não se pode ter dúvidas diante do que o médico escreve. São informações muito importantes''.

mockup